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Voando
nos países baixos
Da Holanda, um colega
conta a sua experiência como piloto contratado pela Transavia
e como viver num país estrangeiro está enriquecendo
sua vida profissional e pessoal
Pedro Goldenstein
Através da Internet vários colegas têm me cobrado
que eu relate um pouco as experiências holandesas. Tentei
dividir a empreitada com alguns dos pilotos que estão aqui
e são "bons de caneta", mas como a preguiça
predominou, acabou sobrando mesmo para mim. Peço desculpas,
no entanto, por não ter as qualidades de cronista do Zoratto,
nosso correspondente na Itália, de forma que me limitarei
a algumas "pílulas":
SELEÇÃO
Todo o processo de seleção foi realizado diretamente
pela Transavia, com uma avaliação no simulador, entrevista
e uma batelada exaustiva de testes psicotécnicos. No entanto,
a Empresa parecia não ter certeza da quantidade de pilotos
que necessitaria e acabou decepcionando colegas que apesar de obterem
boa classificação, tiveram suas viagens canceladas
na última hora.
A VALIDAÇÃO
Chegamos a Amsterdam em maio e imediatamente entramos no complicadíssimo
processo de validação da licença brasileira.
Resumindo os quase dois meses de trabalho, fizemos uma revisão
e prova de equipamentos, um curso de tráfego aéreo
holandês e prova com o DAC local, um curso completo de segurança
com duração de uma semana; incluindo um dia no corpo
de bombeiros apagando incêndios e experimentando fumaça
de verdade; outro na Polícia Federal discutindo terrorismo
e outras ameaças à segurança aeroportuária.
Houve também uma tarde inteira no ultrasofisticado simulador
de cabine da KLM. Ao final, as indefectíveis provas...
SIMULADOR
A Transavia tem um padrão operacional bem interessante, fortemente
calcado numa "gestão participativa" da cabine.
O CRM é encarado com radicalidade: não se admite que
nenhum dos dois pilotos, por um instante sequer, fiquem fora do
loop. Até os recall itens numa fase crítica de emergência
só são supostos de serem executados quando o pilot
flying tenha condições de acompanhá-los. Os
SOP incluem ainda diferentes e novos call outs, briefings e procedimentos;
o Copiloto, por exemplo, aciona e corta os motores quando pilot
flying. Outro exemplo são os procedimentos de não-precisão,
executados em uma descida constante até o MDA, arremetendo
em seguida, mesmo que o MAPt ainda não tenha sido alcançado.
O treinamento em simulador foi feito em parte na Varig (aonde tivemos
a sorte de contar com a força do checador da Transavia e
amigo, Cmte. Luiz Bacelar Magalhães, e do também checador
e grande figura, Cmte. Ferdinand Costerman.) e parte na Holanda.
O cheque inicial, para a maioria de nós, foi assistido pelo
próprio instrutor, por um checador da empresa e ainda outro
do DAC local.
VÔO LOCAL
O Vôo local, por sua vez, é feito prá valer,
no próprio avião. Aqui é possível medir
a disposição em investir no treinamento: foram pelo
menos 12 aproximações e pousos para cada um de nós,
em todas as configurações possíveis, boa parte
inclusive em monomotor. Após os pousos de treinamento de
cada um, mais uma vez, os checadores da companhia e do DAC entram
na cabine e as duas ou três aproximações / pousos
finais constituem uma nova avaliação...
UNIFORME
O uniforme é feito sob medida. Camisas bem acabadas de algodão
grosso e confortável. O terno bem cortado (se não
me engano, em microfibra) não amassa nunca, é arejado
e de acabamento impecável. Detalhes como o zíper no
bolso interno ou ilhoses metálicos para fixar as asas protegidos
por dentro por um forro duplo etc. A gravata é discreta,
mas com motivos que lembram as cores da Empresa. O quepe azul, coerentemente
com a tradição de rebeldia dos holandeses, geralmente
fica em casa ou na mala. Aliás, me lembrei de falar no uniforme
porque, para nossa surpresa, exigiram o seu uso no vôo local.
A razão, descobrimos após nove horas seguidas de lenha,
em Esbjerg, na Dinamarca: uma pistinha de pouco uso na costa ocidental
do país, quando os instrutores / checadores fizeram questão
de patrocinar uma simpática cerimônia de entrega das
asas (devidamente espetadas no uniforme), regada a coca-cola.
INSTRUÇÃO EM ROTA
É difícil adaptar alguém à rotina de
uma empresa que não tem rotina, com maioria de charters e
fretamentos e mais de 50 destinos habituais na Europa e arredores.
Como todos nós já tínhamos bastante experiência
no equipamento, a maior parte das oito etapas foram gastas ensinando
a rotina de cabine, em especial a tonelada de formulários
e documentos que a tradição burocrática holandesa
e os rigores dos novos regulamentos JAR-OPS impõem a bordo.
Meu instrutor, o Peter Smit, foi muito atencioso e, além
de me dar ótimos charutos cubanos (devidamente acesos na
cabine - mais uma vez ao estilo holandês), deu dicas preciosas
sobre rotas e macetes da Empresa. Certamente, maior dificuldade
foi (e de certa forma continua sendo) a adaptação
à estrutura enxuta da Empresa; sem DOVs, sem balanceadores;
sem manutenção e sem qualquer tipo de estrutura própria
fora da base principal, em Schiphol. Mais adiante tocarei no assunto.
DESEMPENHO
Os Variguianos tiveram um resultado muito bom em todas essas avaliações.
Acho que os holandeses não sabiam bem o que esperar de pilotos
latino-americanos e se surpreenderam com o nosso conhecimento, experiência
e padrão operacional. O próprio Vice-Presidente de
Operações da Empresa fez questão de escrever
para a Varig elogiando o nosso trabalho. O sucesso dos Pilotos brasileiros
em um processo de seleção e de validação
no qual outras nacionalidades fracassaram é uma prova da
qualidade da nossa formação e um motivo de orgulho
para todos.
EXAME MÉDICO
Quando pensávamos que estava tudo pronto para começarmos
a voar, veio a notícia de que o DAC local não tinha
validado as nossas CCF como a Transavia esperava. Tivemos então
que fazer um exame inicial completo e ainda esperar duas semanas
adicionais pelos resultados oficiais. O Aeromedisch Instituut, em
Soesterberg, pode ser burocrático e demorado, mas é
um exemplo no qual o CEMAL e as nossas policlínicas deveriam
se inspirar: o início do exame tem hora marcada, assim como
a passagem por cada uma das clínicas. A pasta com os exames
fica o tempo todo nas mãos do examinando e cada um dos especialistas
faz questão de explicar antes o exame ou procedimento que
irá fazer e depois fornecer na hora o resultado. Ao final,
passamos por um clínico geral que faz uma ultra-completa
anamnese e exame clínico e em seguida, de posse de todos
os demais exames, explica e discute cada um dos resultados, com
comentários e recomendações construtivas. Um
verdadeiro check-up, evidentemente, pago pelo empregador...
RADIOTELEFONIA
Para o Lemmi, o Plínio, o Ban-Ban e o Felipe, uma nova e
surrealista exigência foi acrescida na última hora:
o copiloto holandês que tenha o "PLA" (em inglês
ATP) teórico e as horas necessárias, recebe automaticamente
a licença definitiva ATP. Portanto, pela normas locais, a
maior parte dos copilotos da Varig já seriam ATP. Acontece
que o DAC brasileiro os apresentou como "PC" (CPL em inglês).
Pelas normas holandesas, mais uma vez, o Piloto Comercial não
é obrigatoriamente portador da licença complementar
de "rádio telegrafista" que por sua vez está
embutida no ATP... resumindo a confusão; toca os quatro a
fazerem um curso e uma prova de R/T. Detalhe: radio telegrafia é
rádio telegrafia mesmo, incluindo a exigência do conhecimento
do código Morse ao nível de sete palavras por minuto!
Todos foram aprovados, demonstrando mais uma vez a excelência
dos brasileiros. Se não servir para mais nada, pelos menos
agora eles vão podem fazer AFA batucando com o talher no
copo, sem ninguém em volta entender...
ASAS CORTADAS
Esse episódio da radio telegrafia, que acrescentou mais um
mês de espera para os Copilotos, acabou colocando a Transavia
numa sinuca de bico. O verão ia acabando, os contratos deles
(de apenas quatro meses) também, e as complicações
burocráticas segurando todos no chão. O Felipe e o
Ban-Ban, que foram os últimos contratados, já tinham
completado o treinamento e aguardavam a disponibilidade do simulador
para fazerem o cheque final, quando a Empresa refez as suas contas
e descobriu que não valia mais a pena fazê-los voar.
Eles foram até corretos, elogiando a excelência dos
colegas e pagando o contrato até o fim (aliás, é
bom contar tudo isso antes que a AFA invente outra versão...).
Foi uma pena, embora eu tenha certeza de que também para
esses dois colegas o saldo final foi uma experiência das mais
interessantes.
CHARTERS E AD-HOC
A aviação da Transavia deve ser familiar para quem
voou taxi aéreo. Novos destinos, novas chaves a cada dia.
Pernoites inusitados, "perdias" e transferências
de taxi daqui prá lá. Parece complicado, particularmente
com todos os atrasos que os slots, o fechamento do espaço
aéreo de Belgrado e a falta de estrutura da Empresa no exterior
poderiam trazer. Mas por incrível que pareça tudo
acaba dando certo, funciona mesmo... A diversificação
e uma certa dose de improvisação acabam sendo, pelo
menos para mim, fascinantes: a cada dia conhecemos um aeroporto
completamente novo, uma situação inusitada a ser gerenciada.
PAPÉIS
O JAR-OPS exige que se deixe uma cópia da navegação,
do Registro de Bordo, do Log-Book e do Peso e Balanceamento (de
saída e às vezes o de chegada) em cada escala. A regulamentação
holandesa ainda exige o preenchimento completo da folha de navegação
e dos take-off e landing cards. As leituras de motor são
obrigatórias em todas as etapas. Se não bastasse tudo
isso, não existe a função de balanceador na
empresa. O balanceamento é feito por nós num microcomputador
em Schiphol ou manualmente (argh!) nas escalas. As navegações
são feitas pelos DOVs em Amsterdam, mas às vezes os
ventos estão defasados ou o coeficiente de degradação
não coincide com a realidade, sem falar nas esperas e na
meteorologia instável do continente. Cabe aos Pilotos pensar
em tudo: o quanto abastecer e se vai ser possível decolar
e pousar com o combustível escolhido em algumas das pistas
críticas que operamos. São complicadores adicionais
o fato dos números finais de passageiros, bagagem e carga
nem sempre estarem disponíveis quando a decisão tem
que ser feita, as etapas serem quase sempre muito longas (de Cork
na Irlanda até Hieraklion na ilha de Creta, ou de Schiphol
a Tel-Aviv, por exemplo, são quase 5 horas de operação)
e os aviões estarem sempre lotados até a boca.
CELULAR
Na maior parte dos destinos no exterior, não existe nenhuma
estrutura própria da Empresa. O Comandante acumula a função
de "gerente de aeroporto", relacionando-se diretamente
com as empresas de handling, abastecimento e outros serviços.
O único apoio (aliás uma excelente idéia) é
um telefone celular, retirado no DO a cada vôo, pelo qual
podemos fazer contato nas escalas e pernoites com a coordenação
de vôos, escala de tripulantes e com o Departamento Técnico
(manutenção).
LUCRO
A Transavia é uma Empresa dedicada a ganhar dinheiro. Ela
ocupa um nicho próprio de mercado e o tem feito com maestria.
São 21 anos seguidos fechando os balanços em azul,
sendo que o lucro do último período foi recorde. Em
busca dos bons resultados, a estratégia é própria
de uma empresa especializada em vôos charter: nos B737-300,
por exemplo, se espremem 149 passageiros (lembrando que a estatura
média do holandês é consideravelmente maior
que a nossa...), pagando cada um tarifas surpreendentemente baixas.
As lotações médias são superiores a
95%, mesmo nos poucos vôos regulares. A inexistência
de estrutura gerencial e de apoio no exterior com certeza também
é parte dessa estratégia. Outra coisa que tem que
ser dita é que as condições, são no
geral, mais favoráveis: é muito mais aceitável
socialmente dispensar dois terços dos comissários
no fim do verão, sabendo que o governo vai praticamente pagar
o salário integral de cada um durante o inverno. Se alguém
sugerisse alguma coisa assim no Brasil, os liberais de carteirinha
iam pular no seu pescoço, acusando a idéia de "subsídio"
à aviação.
MANUTENÇÃO E SAZIONALIDADE
A manutenção da Transavia é bastante boa, comparável
à da Varig. No início, estranhei a falta de mecânicos
fora da base (um mecânico acompanha o avião apenas
em caso de pernoite e quando ocorre uma necessidade a Empresa aciona
terceiros ou envia um mecânico de Amsterdam), mas até
o momento não tive maiores problema. Aparentemente as características
sazonais se aplicam a quase tudo, até às grandes revisões.
Durante o verão todos voam como loucos e quando chega o inverno
a Empresa entra em um estado de semi hibernação, com
os aviões parando para os grandes serviços ou para
eliminar as pendências, ao mesmo tempo que os Pilotos tiram
suas férias, fazem cursos, treinamentos periódicos
e recheques e boa parte dos comissários, como dito acima,
são simplesmente dispensados.
SEM EFIS
Embora o contrato falasse em voar 737-EFIS, uma surpresa curiosa
foi não encontrar nenhuma "televisão" em
quatro dos quinze 737-300 da Empresa. É uma espécie
de híbrido muito engraçado, com IRS e FMC porém,
sem o glass-cockpit. A rota pode ser acompanhada apenas pela deviation
bar do HSI mecânico. Fica um pouco mais difícil visualizá-la,
em particular quando, como ocorreu muitas vezes, estamos indo pela
primeira vez para algum destino mais enrolado, mal tempo e um primeiro-oficial
com pouco mais de 200 horas de vôo. Esses aviões estão
sendo substituídos até o fim do ano pelos novos -800.
ROTAS
Uma listinha de onde já fomos (de um total de mais de 70
destinos da Empresa durante o verão), só para sentir
o drama: Marrocos (Tanger, Agadir, Ouasasate, Casablanca), Tunisia
(Monastir e Djerba), Portugal (Funchal, Lisboa, Faro, Oporto), Grécia
(Atenas, Heraklion, Mitilini, Corfu, Kefalinea, Kalamata, Santorini,
Karpathos, Chania, Rhodos, Kos, Skyros, Kavala, Larnaca), França
(Mulhouse, Nice, Strassbourg), Irlanda (Cork, Shannon), Israel (Tel-Aviv,
Eilat), Alemanha (Leipzig, Berlin, Dusseldorf, Padelborn, Münster-Osnaabrück,
Hannover, Dreden, Frankfurt), Suiça (Zurich, Basel), Espanha
(Madrid, Alicante, Málaga, Gran Canaria, Fuerte Ventura,
Tenerife, La Palma, Mallorca, Menorca, Ibiza), Italia (Roma, Milão,
Genova, Verona, Bologna), Inglaterra (London-Gatwick), Escócia
(Edimburgo), Egito (Hurghada, Sharm El Sheikh).
DINHEIRO
Continua valendo aquela piada sobre as três coisas que o Piloto
mais queria ter... não que o dinheiro do contrato fosse ruim,
mas o aluguel e o custo de vida são bem mais caros do que
no Brasil e no meu caso em particular, acabei tendo que matricular
as crianças em uma escola internacional muito cara, de forma
que as possíveis vantagens em relação ao pagamento
no Brasil acabaram se anulando. Vale também registrar que
a Transavia e a Parc Aviation TÊM sido bastante corretas em
relação a tudo que foi combinado.
AMBIENTE
A Transavia é um ótimo lugar para se trabalhar: um
ambiente extremamente profissional e correto, embora descontraído
e amigável. Os Pilotos são respeitados e têm
boa autonomia nas decisões operacionais e o relacionamento
de cabine é bastante bom. Os europeus são menos efusivos
que nós, mas já deu para fazer boas amizades. Temos
ótimo contato também com os outros pilotos contratados,
em particular com os mexicanos e os engraçadíssimos
australianos. Entre nós, o coleguismo e o apoio mútuo
constante têm sido fundamental para manter O moral e resolver
os pequenos problemas do dia-a-dia. Uma curiosidade é o "dispatch"
ou debriefing, no qual toda a tripulação se reúne
em grandes mesas junto ao do para finalizar os relatórios
de vôo e descontrair um pouco antes de voltar para casa. Nestas
ocasiões são consumidas bebidas alcoólicas,
ou não, e petiscos trazidos de bordo, num ritual de despedida
incentivado pela própria administração da Empresa,
que vê nele uma oportunidade para implementar o entrosamento
entre os tripulantes e, consequentemente, a eficiência operacional.
MORAR NA HOLANDA
É muito bom morar aqui. Tivemos muita sorte de pegar um dos
melhores verões da década, segundo os próprios
holandeses. Chegou a fazer calor de verdade e pudemos aproveitar
todos os passeios, bares e cafés ao ar livre a que tínhamos
direito. Agora com a chegada do inverno, faz frio, mas boa parte
dos dias continuam lindos. As casas holandesas são compactas
e com escadas incrivelmente íngremes. Em toda parte tem boas
praças, lindos parques e áreas verdes. A Holanda é
mais conservadora do que a imagem vendida no exterior e se diferencia
dos Estados Unidos e de outras partes da Europa por não ser
uma "sociedade de consumo". Não tem tanta loja
nem tanta variedade de produtos quanto na América, mas pode-se
comer e beber muito bem (fugindo dos indefectíveis croquetes
e batatas fritas com maionese, peças de resistência
da culinária das Terras Baixas). Os Holandeses são
um povo à parte, com um caráter independente e questionador
e uma cultura forte que garantiu a permanência da língua
e do país, espremido, junto com a Bélgica e Luxemburgo,
entre os gigantes França e Alemanha e o mar. A cada dia descobrimos
uma outra faceta diferente e interessante. Falar dos Holandeses
e da Holanda é assunto para outro Ponto Livre inteiro...
A EXPERIÊNCIA
Tenho certeza que vamos voltar com muitas idéias e contribuições
para o nosso Grupo na Varig. É inevitável amadurecer
como profissional depois de tantos desafios. Há poucos meses
se alguém me dissesse que tinha que fazer, por exemplo, um
vôo para Berlim no dia seguinte, eu iria passar a noite estudando
e, de preferência, me fazer acompanhar por quem conhecesse
a área. Nossa rotina aqui tem sido desbravar na marra, até
porque muitas vezes não temos a chance de um aviso prévio:
nem sempre é fácil, mas com certeza é estimulante
e pouco a pouco, os vôos dentro da Europa se assemelham a
qualquer vôo cotidiano dentro do Brasil. No geral, curiosamente,
sinto que a experiência vem reforçando meu sentimento
de ligação com a Varig, tanto no destaque às
suas qualidades quanto na vontade de mudar algumas coisas para melhor.
Acabado o contrato internacional, o meu lugar é na Pioneira.
Pedro Goldenstein é comandante de B-767 na Varig.
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