No mundo da aviação
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Robert Zwerdling
é repórter e colaborador especial do OAVIAO.COM
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Supermédio Ligeiro *[janeiro/2001]
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Avaliação do Boeing 737-700
Fotos: Robert Zwerdling


Análise em rota


História do Boeing 737-700


O sucessor  do Boeing 737-300 é um avião muito superior.

Por isso a VARIG decidiu introduzí-lo em rotas internacionais que antes eram feitas pelo irmão maior, o 767.

Em 1965, a empresa aérea alemã Luft­hansa pediu à Boeing que desenvol­vesse o projeto de uma aeronave bir­reatora para até 100 passageiros, destinada às suas rotas de curtas distâncias.

Naquela época, a fábrica norte-americana já havia lançado um avião para etapas curtas e médias, o trijato B-727, que era configurado para 131 assentos em classe única. A Boeing aceitou desenvolver o projeto e não poderia prever que o novo avião seria um de seus maiores sucessos de vendas.

Assim como fizeram com o B-727, os engenheiros optaram em aproveitar parte da seção de fuselagem do quadrirreator intercontinental B-707, cujo protótipo voara em 1954. Faltava ape­nas decidir onde seriam instalados os dois reatores requisitados para o novo modelo. Chegaram à conclusão de que os motores Pratt & Whitney JT8D-7 deveriam ser instalados sob as asas e assim foi feito.

Em segui­da, a Boeing confirmou para seu cliente que o projeto do novo B-737-100 fora aprovado e a Lufthansa deu o aval para a construção inicial de 21 aeronaves. 0 primeiro 737 voou em abril de 1967 e foi entregue para a Lufthansa em dezembro daquele mesmo ano. Paralelamente, atendendo um pedido da United Airlines, a Boeing construiu uma versão um pouco maior, 0 737-200, confi­gurado para 124 passageiros.

A encomenda inicial foi de 40 unidades. Até dezembro de 1967, os dois protótipos haviam completado mais de 1.300 horas de vôos em testes e a certificação de aeronavegabilidade concedi­da pela Federal Aviation Administration (FAA) incluiu, pela primeira vez na história da Aviação Comercial, a homologação para pousos automáticos com visibilidade abaixo dos mínimos do ILS Categoria II.

No total, a Boeing entregou apenas 30 modelos 737­100 mas, em compensação, 0 737-200 tor­nou-se um verdadeiro "Fusca" da Aviação Comercial, com 1.114 unidades vendidas, o que representa quase 1/3 das vendas totais do modelo 737 até hoje.

A versatilidade foi uma das chaves-mestras do sucesso deste avião, que também foi o primeiro a eliminar a posição do engenheiro de vôo dentro da cabine de comando.

Com autonomia de 4 630 quilômetros, capaz de operar em pis­tas curtas e aeroportos desprovidos de boa infra-estrutura, 0 737-200 foi rapidamente recebendo encomendas de todos os cantos do mundo.

Em maio de 1971, a Boeing fez um upgrade do 737-200 introduzindo a ver­são Advanced, modelo que incorporava algumas novidades aerodinâmicas, um sistema de autobrake (freio automático), reatores mais potentes e econõmicos (JTBD­15A), e maior capacidade de carga e combustível. Mas, assim como a infor­mática na segunda metade do século XX, a aviação evoluiu rápido demais em pouco espaço de tempo. E a família 737 não fugiu a esta regra. Em janeiro de 1984, a família crescia com a chegada do 737-300, que possuía uma fuselagem um pouco mais alongada e capacidade para transportar até 149 passageiros em classe única. Internamente, a cabine de passageiros ganhou novos bagageiros, com maior capaci­dade e, logicamente, uma decoração bem mais moderna. 0 desempenho e a autono­mia do jato americano também melhoraram bastante. Os 737-300 receberam reatores turbofan CFMS6-3, fabricados pelo consór­cio formado pela General Electric (EUA) e a Snecma (França), bem mais silenciosos, po­tentes (até 7 000 libras a mais de empuxo em cada reator) e econômicos que os antigos turbojatos PW JT8.

A cabine mais limpa, e modernizada, perdeu alguns instrumentos analógicos para receber telas EFIS (ElectronicF'light Instrument System) e um sis­tema para gerenciamento de vôo (FMS). Não demorou muito para que os clientes da Boeing começassem a encomendar outras duas versões do birreator, uma alongada e outra mais curta. Assim, em janeiro de 1988, voou 0 737-400, versão para até 159 assen­tos em classe única e, no ano seguinte, a Boeing comemorou o rollout do 737­500, configurado para acomodar até 132 passageiros em classe única.

No começo da década de 90, a Boeing iniciou a fase de transição para as próximas décadas ao lançar o wide­body Boeing 777, uma aeronave de fu­selagem larga, para vôos interconti­nentais, equipado com uma cabine ultramoderna, no estilo glass cochpit, comandos fly-by-wire e sistemas de última geração para navegação, trans­missão de dados e outros equipamentos que aumentam consideravelmente a segurança de vôo.
Ao mesmo tempo, a fábrica americana anunciou o lança­mento da nova família 737 Next Ge­neration (NG) que, além de incorporar a mesma tecnologia embarcada nos 777, trazia melhorias substanciais de performance.

0 Boeing 737-700 NG (equivalente ao antigo 737-300) foi lançado em novembro de 1993 pela Southwest Airlines, que encomendou inicialmente 63 aviões. A primeira entrega aconteceu em dezembro de 1997. A companhia alemã Hapag-­Llovd recebeu o primeiro 737-800 (equivalente ao 737-400) em 1998 e o primeiro 737-600 (equivalente ao 737-500) foi entregue à Scandinavian Airlines (SAS) neste mesmo ano. A família de nova geração 737 ainda ganhou uma outra versão, 0 737-900, o mais alongado de todos, capaz de trans­portar até 189 passageiros em classe única.

As entregas deste novo jato estão programadas para o início de 2001 e a Alaska Air­lines receberá inicialmente onze unidades. No Brasil, a VARIG é a primeira cliente brasileira dos jatos de nova geração da Boeing. Além de ter negociado widebodies 777 - o primeiro deve chegar em outubro de 2001 - a companhia já tem em sua frota cinco Boeing 737-700. Eles chegaram no início de 1998, como parte de uma encomenda de sete 737-700 e dez 737-800 negociados pelo então presidente Fernando Souza Pinto durante a penúltima edìção da Feira Internacional de Farnborough. Os outros aviões viriam naquele mesmo ano e no início de 99, não fosse a crise econômica que atingiu o país neste período.

A VARIG, então, adiou a entrega das outras aeronaves, mas manteve os cinco jatos que já haviam sido incorpora­dos à frota. Superada a pior turbulência, as companhias aéreas brasileiras iniciaram a fase de reestruturação.

A VARIG incorporou alguns Boeing 737-300/-400, que perten­ciam à Transbrasil, e não viu necessidade imediata para trazer os 737-800 encomenda­dos. Além disso, com mais dois widebodies MD-11 (ex-VASP), a companhia reestruturou de forma eficiente sua malha aérea.

Os cinco 737-700, que antes realizavam vôos curtos e até acanhados para o  potencial tecnológico, foram introduzidos neste semestre em rotas internacionais para Lima (Peru) e Santiago do Chile.

0 vôo para capital peruana é nonstop, a partir de Guarulhos, uma etapa de cinco horas e meia antes impraticável para o 737-300, devido à sua autonomia restrita - o 737-700 pode voar de São Paulo a Aruba sem escalas. Essas duas rotas internacionais atravessam a pe­rigosa região da Cordilheira dos Andes e, portanto, nada mais seguro do que operar um jato que está equipado com um sistema aperfeiçoado de alerta de proximidade do solo (EGPWS).


Robert Zwerdling é repórter e colaborador especial do OAVIAO.COM
 
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