Naquela época, a fábrica norte-americana já havia lançado um avião
para etapas curtas e médias, o trijato B-727, que era configurado
para 131 assentos em classe única. A Boeing aceitou desenvolver
o projeto e não poderia prever que o novo avião seria um de seus
maiores sucessos de vendas.
Assim como fizeram com o B-727, os engenheiros optaram em aproveitar
parte da seção de fuselagem do quadrirreator intercontinental
B-707, cujo protótipo voara em 1954. Faltava apenas decidir onde
seriam instalados os dois reatores requisitados para o novo modelo.
Chegaram à conclusão de que os motores Pratt & Whitney JT8D-7
deveriam ser instalados sob as asas e assim foi feito.
Em seguida, a Boeing confirmou para seu cliente que o projeto do
novo B-737-100 fora aprovado e a Lufthansa deu o aval para a construção
inicial de 21 aeronaves. 0 primeiro 737 voou em abril de 1967
e foi entregue para a Lufthansa em dezembro daquele mesmo ano.
Paralelamente, atendendo um pedido da United Airlines, a Boeing
construiu uma versão um pouco maior, 0 737-200, configurado para
124 passageiros.
A encomenda inicial foi de 40 unidades. Até dezembro de 1967, os
dois protótipos haviam completado mais de 1.300 horas de vôos
em testes e a certificação de aeronavegabilidade concedida pela
Federal Aviation Administration (FAA) incluiu, pela primeira vez
na história da Aviação Comercial, a homologação para pousos automáticos
com visibilidade abaixo dos mínimos do ILS Categoria II.
No total, a Boeing entregou apenas 30 modelos 737100 mas, em compensação,
0 737-200 tornou-se um verdadeiro "Fusca" da Aviação
Comercial, com 1.114 unidades vendidas, o que representa quase
1/3 das vendas totais do modelo 737 até hoje.
A versatilidade foi uma das chaves-mestras do sucesso deste avião,
que também foi o primeiro a eliminar a posição do engenheiro de
vôo dentro da cabine de comando.
Com autonomia de 4 630 quilômetros, capaz de operar em pistas curtas
e aeroportos desprovidos de boa infra-estrutura, 0 737-200 foi
rapidamente recebendo encomendas de todos os cantos do mundo.
Em maio de 1971, a Boeing fez um upgrade do 737-200 introduzindo
a versão Advanced, modelo que incorporava algumas novidades aerodinâmicas, um sistema de autobrake (freio automático),
reatores mais potentes e econõmicos (JTBD15A), e maior capacidade
de carga e combustível. Mas, assim como a informática na segunda
metade do século XX, a aviação evoluiu rápido demais em pouco
espaço de tempo. E a família 737 não fugiu a esta regra. Em janeiro
de 1984, a família crescia com a chegada do 737-300, que possuía
uma fuselagem um pouco mais alongada e capacidade para transportar
até 149 passageiros em classe única. Internamente, a cabine de
passageiros ganhou novos bagageiros, com maior capacidade e,
logicamente, uma decoração bem mais moderna. 0 desempenho e a
autonomia do jato americano também melhoraram bastante. Os 737-300
receberam reatores turbofan CFMS6-3, fabricados pelo consórcio
formado pela General Electric (EUA) e a Snecma (França), bem mais
silenciosos, potentes (até 7 000 libras a mais de empuxo em cada
reator) e econômicos que os antigos turbojatos PW JT8.
A cabine mais limpa, e modernizada, perdeu alguns instrumentos analógicos
para receber telas EFIS (ElectronicF'light Instrument System)
e um sistema para gerenciamento de vôo (FMS). Não demorou muito
para que os clientes da Boeing começassem a encomendar outras
duas versões do birreator, uma alongada e outra mais curta. Assim,
em janeiro de 1988, voou 0 737-400, versão para até 159 assentos
em classe única e, no ano seguinte, a Boeing comemorou o rollout
do 737500, configurado para acomodar até 132 passageiros em classe
única.
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No começo da década de 90, a Boeing iniciou a fase de transição para
as próximas décadas ao lançar o widebody Boeing 777, uma
aeronave de fuselagem larga, para vôos intercontinentais,
equipado com uma cabine ultramoderna, no estilo glass cochpit,
comandos fly-by-wire e sistemas de última geração para navegação,
transmissão de dados e outros equipamentos que aumentam
consideravelmente a segurança de vôo.
Ao mesmo tempo, a fábrica americana anunciou o lançamento
da nova família 737 Next Generation (NG) que, além de incorporar
a mesma tecnologia embarcada nos 777, trazia melhorias substanciais
de performance.
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0 Boeing 737-700 NG (equivalente ao antigo 737-300) foi lançado em
novembro de 1993 pela Southwest Airlines, que encomendou inicialmente
63 aviões. A primeira entrega aconteceu em dezembro de 1997. A
companhia alemã Hapag-Llovd recebeu o primeiro 737-800 (equivalente
ao 737-400) em 1998 e o primeiro 737-600 (equivalente ao 737-500)
foi entregue à Scandinavian Airlines (SAS) neste mesmo ano. A
família de nova geração 737 ainda ganhou uma outra versão, 0 737-900,
o mais alongado de todos, capaz de transportar até 189 passageiros
em classe única.
As entregas deste novo jato estão programadas para o início de 2001
e a Alaska Airlines receberá inicialmente onze unidades. No Brasil,
a VARIG é a primeira cliente brasileira dos jatos de nova geração
da Boeing. Além de ter negociado widebodies 777 - o primeiro deve
chegar em outubro de 2001 - a companhia já tem em sua frota cinco
Boeing 737-700. Eles chegaram no início de 1998, como parte de
uma encomenda de sete 737-700 e dez 737-800 negociados pelo então
presidente Fernando Souza Pinto durante a penúltima edìção da
Feira Internacional de Farnborough. Os outros aviões viriam naquele
mesmo ano e no início de 99, não fosse a crise econômica que atingiu
o país neste período.
A VARIG, então, adiou a entrega das outras aeronaves, mas manteve
os cinco jatos que já haviam sido incorporados à frota. Superada
a pior turbulência, as companhias aéreas brasileiras iniciaram
a fase de reestruturação.
A VARIG incorporou alguns Boeing 737-300/-400, que pertenciam à
Transbrasil, e não viu necessidade imediata para trazer os 737-800
encomendados. Além disso, com mais dois widebodies MD-11 (ex-VASP),
a companhia reestruturou de forma eficiente sua malha aérea.
Os cinco 737-700, que antes realizavam vôos curtos e até acanhados
para o potencial tecnológico,
foram introduzidos neste semestre em rotas internacionais para
Lima (Peru) e Santiago do Chile.
0 vôo para capital peruana é nonstop, a partir de Guarulhos, uma
etapa de cinco horas e meia antes impraticável para o 737-300,
devido à sua autonomia restrita - o 737-700 pode voar de São Paulo
a Aruba sem escalas. Essas duas rotas internacionais atravessam
a perigosa região da Cordilheira dos Andes e, portanto, nada
mais seguro do que operar um jato que está equipado com um sistema
aperfeiçoado de alerta de proximidade do solo (EGPWS).