Muitos já devem ter se perguntado com qual critério as aeronaves voam no espaço aéreo.
Pode parecer difícil o "trânsito" onde é impossível haver semáforos, placas, guardas etc, principalmente considerando-se a velocidade com que os veículos se movem "lá em cima" (ao contrário dos automóveis, com os aviões o limite da velocidade geralmente só ocorre nas aproximações em aeroportos muito movimentados para que não haja conflito entre aeronaves mais ou menos rápidas). Como é óbvio, há regras regulamentadas internacionalmente, às quais todos, sem exceção, estão sujeitos.
Apesar dos satélites estarem a cada dia ajudando mais e mais a navegação aérea, não se descartou ainda o uso das chamadas "aerovias", verdadeiras estradas celestes para o trânsito de aviões e helicópteros. Os grandes aeroportos situam-se em áreas denominadas "terminais". Estas, por sua vez, são ligadas pelas aerovias. Assim como as rodovias são divididas entre federais (BR) e estaduaus (SP, MG etc) e numeradas com critérios próprios, as aerovias também têm nomenclatura e numeração particulares.
Elas têm sempre o nome de uma cor (em inglês), como Amber (âmbar), Green (verde), Red (vermelho), White (branco), Lilac (lilás) etc, seguido de um número. Na verdade, são divididas em dois sistemas de estradas, um superior e outro inferior: no Brasil, as aeronaves voarão no nível inferior até uma altitude de 20.000 pés, inclusive, e voarão no nível superior após essa altitude. Muitas delas, como ocorre com as rodovias, têm mão dupla ou uma única direção. No caso das primeiras, os níveis de vôo (altitude em pés) em que as aeronaves poderão voar são mais restritos, justamente devido ao trânsito contrário, de maneira que nunca dois aviões poderão se encontrar no mesmo nível e na mesma aerovia, mas sempre com uma considerável separação em altitude. Por exemplo: os que voam por instrumentos utilizarão os níveis com números ímpares redondos (3.000, 5.000 etc) nos rumos entre zero (ou 360) e 179 graus magnéticos e níveis pares redondos (2.000, 4.000 etc) nos rumos entre 180 e 359 graus magnéticos.
A largura das aerovias não é brincadeira: 80 km para os jatos e 30 para aeronaves turboélices ou a pistão, estreitando-se respectivamente para 40 e 15 ou 20 km apenas nas suas extremidades, quando se aproximam dos radiofaróis -- estações que emitem por rádio sinais em código Morse e servem como referência para as aeronaves em vôo por instrumentos (ou seja, sem contato visual com a terra). As inferiores terminam a aproximadamente 100 quilômetros dos aeroportos, ou seja, ao chegar à Terminal Aérea (que tem aproximadamente esse raio de área). Já as aerovias superiores passam por dentro da terminal, justamente devido aos vôos comerciais que cruzem-nas sem precisar ainda pousar. Todas as aerovias superiores têm também, no nome, o prefixo "Upper" (superior), mas geralmente todas são conhecidas apenas pelas letras iniciais e número (como a UW 33 entre Manaus e Belém).
Para matar sua curiosidade aqui vão os nomes de algumas dessas "estradas", lembrando que os dados podem ser periodicamente modificados: UA 304 (São Paulo-Rio de Janeiro; tem altitude máxima de 31.000 pés); UA 311 e UB 694 (sentido inverso); UW 2 (São Paulo-Brasília, tem mão única); G449 (São Paulo-Goiânia e também São Paulo-Curitiba, níveis inferiores); UA 302, 308 e 425 são mão dupla, entre Porto Alegre e o radiofarol Melo; deste até Montevidéu a aeronave usará a aerovia UA 425 ou a UA 310, proveniente de Curitiba. Claro que os pilotos seguem mapas chamados "cartas" com tudo explicadinho. E não se preocupe, as turbulências não são "buracos": as aerovias não padecem desse problema...