Tudo muito bom, tudo muito bem, a marca está preservada, a bandeira brasileira continuará a circular pelos ares do mundo, mas acontece que uma das principais questões não foi respondida: a Varig, depois de vendida, é ainda brasileira? Terá sido legal a venda da Varig a uma empresa que se presume estrangeira?
A lei brasileira não permite que empresas aéreas tenham mais de 20% de capital estrangeiro. A VarigLog, pelo que se sabe, é controlada majoritariamente pelo fundo americano Matlin Patterson, que por sua vez é controlado pelo empresário Lap Chan, nascido na China e naturalizado americano.
E que tem a imprensa a ver com isto? Tem que, embora a VarigLog fosse a candidata favorita à compra da Varig há um bom tempo, não houve reportagem sobre a origem de seu capital. Talvez haja, no Matlin Patterson, alguma injeção desconhecida de capital brasileiro; talvez Lap Chan tenha colocado no negócio empresas brasileiras de seu grupo, de maneira a manter a empresa dentro do que determina a lei. Uma boa reportagem poderia mostrar a composição do capital usado para salvar a Varig e acabar com essas insinuações maldosas – ou, confirmando-as, impedir um negócio que, neste caso, se terá tornado ilegal.
Enfim, estará o controle da Varig mantido no Brasil ou o "Brazilian Airlines" pintado nos aviões será apenas uma fantasia? Será a Varig a Estrela Brasileira no Céu Azul ou é melhor chamá-la de The Brazilian Star in the Blue Skies?
Não é bem assim
A imprensa não tem avançado no assunto, mas o Sindicato Nacional das Empresas Aéreas (que engloba a Varig) parece atento. Se, a seu ver, houver irregularidades, pedirá à Justiça a anulação do negócio.
Feio não é bonito
Enquanto se comemorava o sucesso da compra da Varig, houve um festival de frases feitas que merece registro. Houve o tradicional "não se faz omelete sem quebrar os ovos" e um clássico "Nem sempre o bom é ótimo".
Lembra um dos grandes presidentes do Corinthians, Vicente Matheus: "O difícil não é fácil".