As empresas de táxi aéreo operam com poucas certezas, já que a demanda pelo fretamento de jatos é instável e os preços do combustível estão atrelados ao petróleo e ao dólar. Mas existe, ao menos, uma coisa certa, que acontece de quatro em quatro anos: em época de eleições, a procura pelos serviços cresce.
São candidatos aos cargos de deputado, senador, governador e presidente que, durante as campanhas, contratam o táxi aéreo para alcançar as mais diversas localidades em busca de votos.
Nas eleições de 2002, as empresas de táxi aéreo receberam R$ 8 milhões das mãos dos políticos, de acordo com número do Tribunal Superior Eleitoral (excluídos dados das companhias aéreas regulares). O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, por exemplo, gastou R$ 1,24 milhão com a TAM Táxi Aéreo, numa campanha que custou oficialmente R$ 39 milhões.
As empresas aéreas começam a sentir a procura pelos serviços para políticos este mês. A Rico, que voa na região Norte, prevê um aumento de 60% no transporte de passageiros de agosto até o primeiro turno do pleito, que acontece em outubro. A empresa possui 4 aeronaves Boeing e mais 13 aviões com até 30 lugares, os mais procurados para as campanhas, segundo Lucas Frade, gerente comercial da companhia.
Os políticos do Norte têm preferência por modelo de aeronave? "Eles preferem os anfíbios", diz Frade. Os anfíbios são aviões capazes de pousar na água, úteis para levar o passageiro às cidades que não têm aeroporto, mas têm rios.
A TAM Táxi Aéreo calcula aumento de 50% no número de horas voadas a partir de agosto. "Voamos cerca de 40 horas por mês com cada aeronave e devemos passar a 60 horas", afirma Rui Thomaz de Aquino, presidente da empresa. Segundo ele, em eleições passadas a procura pelo táxi aéreo costumava a aparecer já em maio, mas a partir de 2002 a demanda começou a surgir em julho e agosto.
A Líder, empresa mineira de táxi aéreo, reserva algumas aeronaves para atender os políticos nas disputas eleitorais. De acordo com o gerente de operações da companhia, Francisco José da Silva Lobo, o movimento cresce de 30% a 40% meses antes do pleito. "Quem vai levar os políticos, os assessores e os correligionários para Ipatinga, Divinópolis, Governador Valadares? Só o táxi aéreo", diz Lobo.(RC)