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Vasp pretende voltar a voar dentro de 10 meses
Credores aprovam plano de recuperação da empresa, que prevê a retomada do transporte de passageiros

O ESTADO DE S.PAULO
Renata Stuani, Mariana Barbosa


Os credores da Vasp aprovaram ontem o Plano de Recuperação Judicial da empresa. A aprovação renova as esperanças de trabalhadores e dos administradores judiciais da Vasp para a retomada dos vôos. A intenção é voltar a transportar passageiros em 10 meses. Para isso, porém, a empresa terá de apresentar um bom plano de negócios para atrair investidores e conseguir fechar contratos com arrendadores de aviões.

Sem voar desde janeiro de 2005, a Vasp teve sua imagem bastante afetada durante a conturbada gestão Wagner Canhedo, que acabou afastado judicialmente em uma ação civil pública movida pelo Ministério Público do Trabalho. Na época, cofres foram arrombados e uma série de equipamentos, incluindo uma turbina, desapareceram das dependências da Vasp.

“Chegamos a um final feliz. Agora é uma nova fase”, disse o diretor-presidente da comissão de interventores, Raul de Medeiros. “Temos investidores interessados e as conversas agora ficarão mais sérias”, completou o também interventor Roberto de Castro. A gestão ganhará o reforço do ex-presidente da Varig Arnim Lore, que já vinha trabalhando como consultor e terá um cargo formal.

A Vasp funciona hoje com um quadro de 300 funcionários e sobrevive com a prestação de serviços de manutenção para a BRA. A empresa tem um passivo estimado em R$ 5 bilhões e tem como principal ativo uma ação de indenização contra a União por perdas provocadas por planos econômicos, de valor estimado em R$ 2 bilhões.

A aprovação do plano só foi possível após a renegociação da dívida com a Infraero, que foi recalculada e baixou de R$ 890 milhões para R$ 345 milhões - a ser paga em dez anos, após cinco anos de carência.

A empresa também conseguiu renegociar a dívida com a BR Distribuidora, acertada em R$ 102 milhões, ao desistir de uma ação judicial contra a estatal. Os demais credores terão a opção de renegociar dívidas ou converter créditos em cotas de fundos de investimento e participação.

O interventor Castro, que representa Canhedo na gestão, conta que o empresário ficou “feliz” com a aprovação do plano. A intenção de Canhedo, diz, é sair do negócio e vender suas ações. Entretanto, ele esbarra em dois grandes problemas: falta de interessados e a indisponibilidade de todos os seus bens (incluindo as ações) por conta da ação civil pública.


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