Os credores da Vasp aprovaram ontem, em assembléia, o plano de recuperação judicial para a companhia aérea, que parou de operar no início do ano passado. Além da constituição de fundos dos quais os credores poderão participar, ao trocar dívidas por cotas, outra possibilidade, de receber os créditos com deságio, foi colocada na mesa e aprovada.
Foi esta última a opção seguida pela Infraero (estatal que administra os aeroportos), maior credor da Vasp, que optou por receber em dez anos, com 65% de deságio e depois de cinco anos de carência (iniciados somente depois que a Vasp voltar a voar). Seu crédito foi reduzido a R$ 340 milhões.
Já a BR Distribuidora, outro credor importante da Vasp, optou por outro caminho: realizar uma espécie de "encontro de contas" entre o que devia à empresa e o que tinha a receber.
Ou seja, a Vasp desistiu de uma ação que movia contra a BR e esta subtraiu o valor do seu crédito. De R$ 278 milhões, a dívida passou a ser de R$ 112 milhões. A estatal se comprometeu a investir esse crédito restante nos fundos de investimento que serão criados.
Pelo aprovado em assembléia, qualquer credor pode optar em seguir os caminhos seguidos por Infraero ou BR.
Pode ainda optar trocar seus créditos por cotas de nove FIPs (Fundos de Investimento e Participação), o que já vinha sendo discutido. Esses fundos serão formados por diferentes ativos da companhia: imóveis da Vasp ou créditos da aérea com a União, por exemplo.
A idéia é oferecer diferentes opções de fundo, com distintos níveis de risco, para os credores. "Pode ser que algum deles não possa ser constituído, já que tudo isso ainda depende de aprovação da CVM [Comissão de Valores Mobiliários]. Nesse caso, existe a possibilidade de fazer uma substituição por uma SPE [Sociedade de Propósito Específico]", afirma Raul Medeiros, interventor da Vasp.
Com exceção da Infraero e da BR Distribuidora, os credores ainda não fizeram suas escolhas. O prazo para optarem é de 30 dias. De acordo com o interventor da Vasp, a expectativa é que os FIPs sejam constituídos em cerca de seis meses.
Com a aprovação do plano, a Vasp, cuja dívida total é de cerca de R$ 5 bilhões, será dividida em duas: uma operacional -a intenção dos interventores é que a aérea volte a voar no início de 2007- e outra que administrará seus ativos e passivos.
A companhia, que segue em recuperação judicial, continuará tendo como acionista controlador Wagner Canhedo, afastado da gestão da empresa pela Justiça. Segundo Roberto Carvalho de Castro, interventor indicado pelo empresário para acompanhar a recuperação, Canhedo quer vender sua participação na Vasp.