RIO e BRASÍLIA. Centenas de funcionários de atendimento terrestre da Varig — 200 a 300 somente em Guarulhos (SP) — podem parar de trabalhar na tarde de hoje. Os trabalhadores, que estão há quatro meses sem receber salários, já fizeram paralisações quarta-feira em Guarulhos, Congonhas, Porto Alegre e Curitiba. Eles prometeram uma trégua de 48 horas para que a Nova Varig dê uma posição sobre o pagamento e sobre o número de demissões.
— Houve paralisações quase espontâneas. Na tarde desta sexta-feira os funcionários se reúnem novamente. Caso haja decisão pela paralisação, ela virá de forma mais forte e organizada — disse o presidente da Federação Nacional dos Trabalhadores da Aviação Civil (Fentac), Celso Klafke.
A VarigLog, que comprou as operações da Varig num leilão no dia 20, pede que os funcionários continuem trabalhando, mesmo sem garantias de que receberão por isso. A Fentac estima que 1.800 funcionários possam ser mantidos. Mas o número depende da quantidade de aeronaves que continuarão em funcionamento.
Até poucos meses atrás, a Varig tinha cerca de dez mil funcionários, mas o número vem caindo com a saída espontânea de trabalhadores. Para quitar os meses de salários atrasados, a empresa precisaria de R$ 106,2 milhões. O custo para a demissão de todos os funcionários seria de R$ 253 milhões, incluindo décimo terceiro salário proporcional, férias vencidas e proporcionais e multas, já que as dispensas seriam sem justa causa. A empresa enviou aos sindicatos do setor uma proposta do modelo de demissões, mas não informou como e quando os pagamentos seriam feitos.
A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) informou que, no segundo dia de vigência da malha emergencial, o cumprimento dos vôos permaneceu “estável”. Os passageiros com vôos cancelados vêm sendo colocados em vôos extras da Varig ou em aviões das concorrentes. Segundo a Anac, ontem houve redução no número de reclamações nos aeroportos.
COLABOROU Martha Beck