Duas semanas depois de divulgar a autuação de companhias no aeroporto internacional de Guarulhos por venda de bilhetes por preços abusivos, a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) mudou a versão ontem: as empresas foram autuadas, sim, mas por venda de passagens abaixo do valor definido em acordos internacionais assinados pelo Brasil.
Em entrevista à Folha, o diretor-presidente da agência, Milton Zuanazzi, afirmou que as normas prevêem apenas um "piso", e não o máximo.
"Com as estrangeiras, não temos teto, só temos piso. O teto é livre. É incrível, mas é assim. O que ela não pode é cobrar abaixo do preço mínimo estabelecido na relação bilateral."
Outra correção diz respeito ao total de empresas. No dia 14 de julho, a assessoria de imprensa do órgão informou que foram 11 empresas autuadas.
"Na semana passada, multamos 14 empresas que tinham cobrado abaixo do piso, porque isso pode ser prática de dumping", disse Zuanazzi.
O mesmo problema ocorreu com a Varig em Lisboa. Em 2005, a aérea fez promoção com bilhetes abaixo do preço acordado com Portugal. Quando 22 brasileiros apareceram no aeroporto e não havia vôo de volta, a TAP negou-se a endossar os bilhetes porque o preço não cobria os custos.