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Varig vai demitir 5.500 funcionários, que já começaram a ser desligados
Serão mantidos 3.985 trabalhadores, que estão com salários atrasados

O Globo
Mirelle de França, Elisa Campos* e
Danielle Abreu**


RIO e SÃO PAULO. A Varig vai demitir 5.500 funcionários, de um total de 9.485 que trabalham para a companhia aérea no país. Os 3.985 restantes serão mantidos nos quadros da empresa. Antes do leilão da Varig — feito no dia 20 — a VarigLog, que comprou os ativos, falava em aproveitar somente cerca de 1.700 na Nova Varig, e a Varig antiga, em ficar com 50. No comunicado divulgado ontem, no entanto, a diretoria da Varig se comprometeu a recontratar gradualmente os que serão desligados, à medida que a empresa recuperar a frota e ampliar as rotas nacionais e internacionais.

No início da tarde de ontem, os funcionários receberam um comunicado interno assinado pelo presidente da Varig, Marcelo Bottini, na qual o executivo justificava o corte como medida necessária para a recuperação da companhia. “A adequação do quadro de funcionários baseados no Brasil que iniciamos hoje (ontem) não deve ser encarada, pura e simplesmente, como o fechamento de postos de trabalho. Pelo contrário, precisa ser vista como medida necessária e transitória para a manutenção e recuperação da Varig”, diz um trecho do documento.

Segundo informações da empresa, os funcionários estão sendo avisados do desligamento por seus superiores — no caso daqueles que não têm pontos fixos de trabalho, por correspondência. A companhia aérea, no entanto, não explicou como vai pagar as multas rescisórias. A Varig disse que serão discutidas com os sindicatos alterações nos acordos coletivos, para que as rescisões contratuais se enquadrem nos critérios estabelecidos pelo Plano de Recuperação Judicial.

— Em um primeiro momento, preferimos negociar com a empresa. Mas temos convicção de que vamos cobrar cada centavo — disse o presidente da Federação Nacional dos Trabalhadores da Aviação Civil (Fentac), Celso Klafke.

Clima no aeroporto de Congonhas foi de desolação
A presidente do Sindicato dos Aeroviários do Rio, Selma Balbino, enviou ofício ao Ministro do Trabalho, Luiz Marinho, pedindo que seja estendida à categoria de aeroviários e aeronautas a ampliação do número de parcelas do seguro-desemprego, de três para cinco, como foi feito com os setores moveleiro e calçadista. Ela quer que o governo intervenha para garantir que as empresas do setor que estão demitindo não deixem de pagar a rescisão trabalhista.

Selma se disse surpresa com a quantidade de funcionários mantidos pela Varig:

— Até ontem, tínhamos a informação de que só seriam mantidos 1.660 postos de trabalho na Nova Varig. No Rio, acredito que não ficarão mais de 300 aeroviários (trabalhadores em terra).

Na terça-feira, haverá uma reunião com representantes da Varig antiga (que ficou com a dívida de quase R$ 8 bilhões e permanece em recuperação judicial), da VarigLog e de sindicatos no Ministério Público do Trabalho, para discutir como as empresas pagarão as rescisões e os salários atrasados.

O clima era de desolação entre os funcionários da Varig no aeroporto de Congonhas, em São Paulo, após o anúncio das demissões. Muitos não conseguiram conter o choro. Os empregados eram chamados um a um para receber as cartas de demissão, entre eles a atendente de check-in Vanda Lúcia Dantas, de 42 anos. Há três anos na Varig, ela estava há quatro meses sem receber o salário e ainda não tem perspectiva de novo emprego:

— Estou com um monte de contas atrasadas. Foi um horrível desrespeito e nem sei se estavam depositando o FGTS.

A Varig divulgou ainda que a reestruturação não vai atingir as operações nem o plano de milhagem. “O Programa Smiles também não sofrerá alterações e os passageiros vão poder continuar a fazer uso e creditar suas milhas.”

Ainda não se sabe de onde virão os recursos para pagar os funcionários. Só para quitar os salários atrasados a companhia precisaria de R$ 106 milhões. Esse valor deve mais do que dobrar se considerados os custos com as demissões. Uma proposta enviada pela empresa aos sindicatos dizia que seriam necessários R$ 253 milhões para demitir todos os funcionários no Brasil.

(*) Do Diário de S.Paulo
(**) Do Extra


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