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TAM + GOL = 88%
Crise da Varig criou um duopólio que já se reflete em alta de preços e deterioração dos serviços

IstoÉ
Por elaine cotta

O mercado brasileiro de aviação vive o seguinte cenário: juntas, TAM e Gol concentram 88% da participação do mercado. A combalida Varig, que há pouco mais de um ano era líder, agora tem menos de 5% do total. E o pouco espaço que resta está dividido entre companhias menores como Ocean Air e BRA. Para os especialistas, essa situação gerou na aviação brasileira um fenômeno chamado duopólio. Ele provoca elevação de preços, redução da oferta de serviços e degradação de sua qualidade. Mas a Anac, a Agência Nacional de Aviação Civil, não vê esse cenário. “É cedo para falar em duopólio. O mercado está passando por uma tempestade, por uma crise momentânea”, disse à DINHEIRO o presidente da Anac, Milton Zuanazi. Sabe-se que a Varig, que no final do ano passado tinha 60 aeronaves, hoje opera com apenas 13 e tem até o dia 31 para retomar as suas antigas rotas. Caso não o faça, os trechos serão divididos entre as concorrentes. Enquanto isso, o mercado opera com preços distorcidos. Desde que a Varig deixou de voar para o México, as passagens dessa linha subiram 150%. A associação das empresas operadoras de turismo, conhecida como Braztoa, diz que os preços no mercado doméstico aumentaram 50% nos últimos 30 dias. “Se os preços mais altos não forem apenas um reflexo temporário do mercado, iremos investigar”, alertou, na semana passada, o secretário de Direito Econômico, Daniel Goldberg.

Zuanazi, da Anac, afirma que a situação só chegou a esse ponto por conta da crise operacional da Varig, que se aprofundou nos últimos três meses. Trechos antes cobertos pela empresa, como as rotas diárias entre São Paulo e Boa Vista, ou São Paulo e Manaus, deixaram de existir. Ele acha que a Varig não terá condições de reassumir tudo e que haverá um “sorteio” das rotas que a companhia abandonar. Se desse sorteio resultar uma divisão
proporcional à fatia que cada empresa já detém, o duopólio se consagra. A alternativa é ratear as rotas deixadas por ela entre companhias menores, criando alternativas para os clientes. “TAM e Gol ganharam muito com a deterioração da Varig”, disse à DINHEIRO o presidente da Ocean Air, Carlos Ebner. “Assim fica difícil competir.” Nos EUA, por exemplo, a American Airlines, a maior companhia aérea local, detém apenas 15,8% de participação do mercado doméstico. “O Brasil não pode ter apenas duas companhias aéreas nacionais”, complementa o diretor da área internacional da Abav, a associação dos agentes de viagens, Leonel Rossi. Na semana passada, Rossi teve que preparar um roteiro surrealista para um grupo de executivos que viajava a negócios para Londres: eles voaram de São Paulo para Fortaleza por uma companhia local. De lá, embarcaram para Lisboa num vôo da portuguesa TAP e, só então, tomaram o avião que os levou à capital inglesa. Total da viagem: 19 horas. Há consenso de que é preciso agir rápido para contornar a situação. De 2002 para cá, a demanda por vôos domésticos cresceu em média 15% ao ano. Só entre janeiro e maio deste ano, segundo a Infraero, foram 42,2 milhões de passageiros. Não foi à toa que, na semana passada, a Vasp, que saiu dos ares em janeiro de 2005, anunciou um plano de recuperação para voltar a operar em dez meses. Há demanda. “Até o final do ano a situação vai se regularizar”, garante Zuanazi. A ver.

15 % foi o crescimento médio do setor aéreo brasileiro desde 2002


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