O primeiro dia após a demissão de 5,5 mil funcionários da Varig foi relativamente tranqüilo no aeroporto de Guarulhos - com a exceção dos já rotineiros problemas com passageiros de vôos cancelados tentando conseguir um assento em outras companhias. Para garantir o clima de tranqüilidade, a Varig contratou a firma de segurança privada Vise Vigilância e Segurança, com homens de plantão dia e noite em frente ao check-in.
Na sexta-feira, após o anúncio da lista de 5,5 mil demissões, funcionários demitidos tentavam impedir os remanescentes de trabalhar. As operações só foram garantidas com a presença da Polícia Militar.
A ameaça de paralisação dos funcionários da empresa - fato que acabou não acontecendo - gerou apreensão no grupo de 150 garotos de 12 a 18 anos que foram de Varig para a Escandinávia participar de um campeonato de futebol. “Se tiver greve e o avião não sair, como vão ficar essas crianças?”, indagou um dos responsáveis pelo grupo, Luiz Mascarenhas.
Metade do grupo chegou ontem em Guarulhos. Nenhum time ganhou o campeonato, mas a cara dos jogadores era de felicidade, apesar do cansaço. “Bateu o desespero, a gente não sabia quanto tempo ia ficar, se o dinheiro ia dar”, conta Leonardo Seli, de 18 anos. Sob pressão dos organizadores do campeonato, que avisaram a imprensa e a embaixada do Brasil na Finlândia, que por sua vez contatou a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), a Varig teve que operar dois vôos extras para Londres e Copenhague. “O vôo de Londres para quinta-feira só foi feito para buscar a gente”, disse Mascarenhas. Ontem estava previsto mais um vôo para Londres e Copenhague, que deve retornar na segunda-feira com o resto da turma.
A estudante sueca Jenny Olsson foi outra que sofreu com o cancelamento dos vôos de Copenhague. O seu estava previsto para deixar a Dinamarca na segunda-feira. Mas ela só conseguiu chegar ontem à São Paulo, depois de voar com outra companhia para Chicago e lá perder dois dias devido ao fechamento do aeroporto por razões climáticas. “Foi um pesadelo”, diz.