No final de maio, a Varig era a empresa aérea que praticava as tarifas mais baixas para rotas ligando os aeroportos de Congonhas e Guarulhos, em SP, aos aeroportos de Belém (PA), Manaus (AM) e São Luís (MA).
É o que mostra pesquisa do Nectar (Núcleo de Estudos em Competição e Regulação do Transporte Aéreo), do ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica), realizada nos sites da TAM, da Gol e da Varig.
Segundo a pesquisa, as tarifas médias por km da Gol e da TAM eram, respectivamente, 9% e 23% mais altas do que a cobrada pela Varig nessas rotas.
Os preços da companhia aérea caíram porque, em crise financeira e cancelando boa parte de seus vôos, a empresa tinha que oferecer um estímulo para atrair passageiros e garantir um caixa mínimo.
Nesse caso, o consumidor pagou menos, mas correu o risco de ter seu vôo cancelado ou atrasado.
Mesmo depois de ter sido comprada pela VarigLog, a operação da Varig era irregular na semana passada. "Os dados mostram que, nessa fase de crise da Varig, ela acabou sendo a alternativa "low fare'", afirma o economista Alessandro de Oliveira, coordenador do Nectar.
O levantamento nos sites foi feito entre os dias 25 e 29 de maio, portanto antes da venda da Varig para a VarigLog, que ocorreu no dia 20 deste mês.
A pesquisa mostra que a tarifa média por km da TAM para essas rotas era entre 12% e 13% mais alta do que a da Gol para passagens vendidas pelas companhias na internet.
Perfis
Apesar de, na média, a tarifa da TAM ser mais alta nessas rotas de longa distância, a "low cost, low fare" (baixo custo, baixa tarifa) Gol tinha o preço mais alto em duas situações: quando os preços pesquisados eram condizentes com o perfil de passageiros viajando a negócios e turistas de feriado (no caso, o de Corpus Christi).
Os preços variam de acordo com a antecedência de compra e quantidade de dias no destino (passageiros de negócios, por exemplo, em geral compram com antecedência menor e por isso o preço sobe). Com base nessas diferenças, o Nectar pesquisou preços para diferentes perfis de passageiros.
Mesmo se restringindo a algumas rotas de longo percurso (a pesquisa se limitou aos vôos ligando Congonhas e Guarulhos a Belém, Manaus e São Luís), o levantamento é relevante pelo seu ineditismo: é a primeira vez no país que é feita uma pesquisa mais aprofundada sobre as tarifas praticadas pelas aéreas brasileiras.
O estudo conclui ainda que as companhias cobram preços mais altos para vôos com conexão do que para vôos diretos. Na média, segundo a pesquisa, a Gol cobrava nessas rotas R$ 810,19 para vôos com conexão e R$ 531,98 nos vôos "non-stop" (diretos). A Varig cobrava em média R$ 711,08 para os vôos com conexão e R$ 629,97 para os diretos.
"Detectamos isso há algum tempo, o que leva a crer que a precificação das companhias aéreas é feita mais baseada em custos do que pensando na demanda. Se há uma parada do avião, aumentam os custos aeroportuários da empresa, e isso é repassado para o consumidor", explica Oliveira.
Para chegar a uma tarifa média comparável, os pesquisadores "filtraram" da tarifa média encontrada nos sites, por meio de modelos estatísticos, fatores que poderiam alterar os preços, como horários dos vôos, a antecedência da compra do bilhete e se eram vôos com ou sem conexão, entre outros.
"Os 12% a 13% a mais da tarifa média da TAM em relação à da Gol, por exemplo, é o que ela cobra pelo valor mais alto que o consumidor confere a seu produto. Todos os outros fatores que poderiam afetar o preço foram isolados no cálculo", afirma Oliveira.
A TAM, por meio de sua assessoria de imprensa, disse que não considera o levantamento representativo pois não leva em conta os benefícios do seu programa de milhagem, porque são poucas as rotas pesquisadas e porque a pesquisa foi realizada apenas por meio do site das empresas na internet.