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Varig busca US$ 40 milhões para voar até o leilão

O Globo
Geralda Doca, Henrique Gomes Batista e Erica Ribeiro


BRASÍLIA e RIO. Diante da recusa do BNDES a conceder o empréstimo-ponte aos investidores interessados na Varig — que dariam o dinheiro para a empresa usar como capital de giro emergencial — a companhia busca desesperadamente levantar pelo menos US$ 40 milhões para continuar operando até o fim de junho, data prevista para a realização do leilão, que foi antecipado para daqui a 30 dias. Para agravar a situação, o presidente da Infraero, brigadeiro José Carlos Pereira, disse que a estatal vai entrar hoje com uma ação penal contra a Varig por apropriação indébita de tarifas de embarque.

Segundo o brigadeiro, a Varig se apropriou indevidamente de cerca de R$ 16 milhões, referente às tarifas dos últimos 19 dias. Esses valores já foram descontados dos passageiros.

— Vamos entrar com ação. A única forma de evitar essa ação é se a Varig pagar amanhã (hoje). Sabemos que ela precisa fazer caixa, mas não pode fazer isso com recursos de outros — disse ele, depois de participar de reunião na Comissão de Infra-estrutura do Senado sobre a crise da Varig.
Antes do encontro, o presidente da empresa, Marcelo Bottini, reuniu-se com agentes de viagens do Distrito Federal para iniciar uma campanha de venda em massa de bilhetes e tentar levantar recursos para o fluxo de caixa.

Segundo ele, a queda na receita com a venda de passagens em abril superou 25% em todo o país — no Distrito Federal, diz a Associação Brasileira de Agências de Viagens (Abav), a redução chegou a 40%. Bottini afirmou que os dados deverão ser piores em maio:

— Precisamos reverter essa crise de credibilidade. Os funcionários públicos também deixaram de viajar conosco.

Bottini disse aos empresários que a companhia dispõe de um crédito de US$ 54 milhões junto à Iata (associação internacional das empresas aéreas, que funciona como uma câmara de compensação) e garantiu que o dinheiro será usado para ressarcir eventuais prejuízos se a Varig parar.

Pressões das empresas de ‘leasing’ na Justiça dos EUA

Segundo fontes, a Varig também quer que as maiores agências antecipem créditos com deságio — por exemplo, um valor menor pelo bilhete vendido para fazer caixa. A idéia é buscar uma negociação semelhante com as empresas do governo (ministérios e autarquias) nas viagens de funcionários públicos.

Mas o risco de antecipar recursos à Varig é grande, dizem as fontes. Quem fez isso com Transbrasil e Vasp ficou no prejuízo, de acordo com um empresário do ramo. No governo, as dificuldades da Varig também serão grandes, já que as compras são descentralizadas. E o Ministério do Planejamento orienta os órgãos a comprarem o bilhete mais barato.

Embora tenha ganhado fôlego com a BR, a Varig enfrenta pressões de todos os lados, como das empresas de leasing que estão recorrendo à Justiça americana. Duas novas ações correm em Nova York. A primeira é da ILFC, à qual Bottini nega que a companhia brasileira deva. A segunda é da autoridade aeroportuária do estado, da qual o presidente da Varig disse não ter conhecimento.

Fontes ligadas a escritórios que representam alguns dos principais arrendadores de aviões afirmam que os pedidos de devolução por falta de pagamento tendem a aumentar, e que os credores já não têm mais tanta paciência com a Varig. Um dos escritórios já tem mais de seis pedidos em andamento na Justiça do Rio.

 

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