O presidente do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), Demian Fiocca, disse hoje que o banco continuará a apoiar a Varig no que for possível.
"Continuamos consistentes na linha de apoiar no que for possível. Mas sempre preservando a boa técnica e prudência bancária", disse.
Segundo Fiocca, ao se dispor em financiar o vencedor do leilão da Varig em até dois terços do valor de aquisição, "o banco estará contribuindo para maior competição no processo de venda da companhia aérea e maior chance de sucesso da operação".
No leilão de venda da empresa aérea, que deve ocorrer até 9 de julho próximo, os interessados poderão apresentar proposta de compra para a Varig Operações (com linhas nacionais e internacionais, excluídas dívidas de R$ 7 bilhões) por um preço mínimo de US$ 860 milhões.
O valor mínimo para a venda somente das operações domésticas é de US$ 700 milhões.
O presidente do BNDES afirmou ainda que o banco se empenhou em apoiar a Varig no "empréstimo-ponte" mas que as propostas apresentadas pelos investidores não atenderam as exigências da instituição.
Fiocca destacou que, das três propostas recebidas pelo BNDES de interessados em conseguirem o financiamento do banco para repassarem à Varig, "nenhuma delas atendeu às exigências".
"Não é que o BNDES tenha recuado ou deixado de querer apoiar. É porque as propostas não preenchiam as condições necessárias. Na verdade, não tinham, sequer, definidas as fontes dos recursos restantes necessários para complementar o empréstimo. Além disso, havia problemas de garantias", ressaltou o presidente do banco.
O "empréstimo-ponte" foi a forma que o BNDES encontrou para ajudar a Varig a se capitalizar até a data do seu leilão de venda. Interessados na compra da empresa poderiam injetar até US$ 250 milhões na companhia aérea, sendo que, considerando este montante, US$ 166,6 milhões seriam liberados pelo banco.
O banco não informou o nome dos interessados em conseguir o financiamento para repassá-lo à Varig. Mas, segundo fontes do setor, as propostas partiram do TGV (Trabalhadores do Grupo Varig), do BRJ (banco especializado em crédito imobiliário) e de um fundo de investimento.
Segundo o executivo, houve empenho do banco no processo, mas faltou proposta "adequada".
Fiocca afirmou que os gestores da Varig disseram que os grupos mais fortes interessados na companhia contam com bancos dispostos a apoiá-los e, por isso, não foram ao BNDES. Ou seja, o fato de o banco ter recebido propostas inadequadas para a concessão do financiamento, com candidatos sem capital próprio, não significa que não haja interesse pela empresa.
Marcelo Gomes, diretor da consultoria Alvarez & Marsal --responsável pela reestruturação da Varig--, afirmou na semana passada que cerca de 14 empresas procuraram diretamente a companhia aérea para negociar o "empréstimo-ponte", pois consideraram que as condições de financiamento do BNDES são similares às de outros bancos comerciais.