Com mais aviões disponíveis, a Gol aproveitou melhor o crescimento do mercado e a derrocada da Varig nos primeiros meses deste ano. A oferta de assentos da companhia cresceu 54,5% de janeiro até o início desta semana ante o mesmo período do ano passado, para uma alta de 53,2% na demanda.
No caso da TAM, os percentuais foram de 28,3% e 32,6%, respectivamente. Em crise financeira, a Varig reduziu sua oferta em 17,9% e sua demanda caiu 21,4%. Os dados foram calculados pelo consultor especializado Paulo Sampaio.
"Se esse ritmo for mantido, e nem a TAM ou a Gol comprarem a Varig, até o final de 2007 a Gol passa a TAM em participação de mercado", analisa.
Na avaliação de Sampaio, se alguma outra empresa adquirir a Varig, que vai a leilão em um mês, esse cenário não tem muita probabilidade de mudar. "Alguém de menor porte não teria situação financeira robusta o suficiente para investir muito nas operações da Varig."
O crescimento mais forte da Gol, afirma, é explicado pela oferta disponível maior que a empresa teve no início deste ano. "Há dois anos a Gol está fazendo um programa de investimento de longo prazo. Isso garantiu preço e posições de entrega de aeronaves privilegiadas em um momento em que o mercado internacional está demandando muitos aviões."
O analista Carlos Albano, do Unibanco, lembra que a Gol também cresce mais porque é menor do que a TAM. "De qualquer forma, ela programou mais aviões, proporcionalmente, do que a TAM. Isso é fato."
Ele avalia que as duas companhias têm modelos de negócios distintos. "O modelo de negócios da Gol é criar demanda com preços baixos, além do crescimento normal do mercado. Já a TAM captura o crescimento do mercado como ele é."
Ambas revisaram para cima suas previsões para recebimento de aviões. A Gol informou que aumentou sua expectativa de uma frota de 58 aviões para 60 até o final do ano. Já a TAM pretende trazer, até dezembro, cinco aviões a mais do que previa em 2005.
Infraero não recebe
A Infraero informou ontem que a Varig ainda não repassou à estatal os R$ 19 milhões de tarifas de embarque de passageiros referentes a 16 dias de operação (são tarifas que a companhia obrigatoriamente tem de repassar à Infraero). A empresa é acusada de apropriação indébita desse valor, e a estatal informou que, nos próximos dias, enviará um pedido formal ao Ministério Público de cobrança judicial dessas tarifas.
Outra má notícia para a companhia é que hoje correm cinco ações de retomada de posse de aviões na Justiça americana. Além de Nova York, há ações também na Flórida. No dia 31 deste mês, a Corte de Falências de Nova York volta a se reunir com arrendadores e a companhia para deliberar se dará mais prazo para a Varig.
A OFERTA
54,5%
foi o quanto cresceu a oferta da Gol no acumulado deste ano
28,3%
foi o quanto cresceu a oferta da TAM no acumulado deste ano
-17,9%
foi o quanto caiu a oferta da Varig no acumulado deste ano