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Leilão da Varig, no dia 5, corre riscos

O Globo
Geralda Doca e Erica Ribeiro


BRASÍLIA e RIO. Marcado para segunda-feira, o leilão de venda da Varig corre o risco de não acontecer. Vai depender da decisão da Justiça americana, durante audiência marcada para amanhã em Nova York, sobre pedido das empresas de leasing , que querem retomar os aviões porque a companhia não cumpriu o que prometeu e atrasou o pagamento. Mesmo que o leilão ocorra, porém, há uma incerteza em relação ao vencedor, pois ele só assumirá a Varig se atender às exigências da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

Caso as arrendatárias vençam a batalha judicial, a Varig terá que devolver mais de 20 aviões, inviabilizando sua operação e o leilão. Se isso ocorrer, a Anac, em nome do governo, pedirá à Justiça americana um prazo para colocar em ação o plano de contingência.

Ainda que novo fôlego seja concedido, resta outro problema. Como o leilão foi antecipado, não há tempo para que a Anac faça a pré-qualificação dos candidatos, o que acontecerá após a realização do negócio. Ou seja, quem comprar poderá não levar a Varig. Devido à falta de dinheiro em caixa, os organizadores do leilão decidiram que o vencedor desembolse imediatamente US$ 75 milhões à companhia e tenha 30 dias para entregar a documentação à Anac e pagar o restante.

Caso a Anac não aprove a transação, o juiz Luiz Roberto Ayoub, encarregado da recuperação judicial que corre na 8 Vara Empresarial do Rio, chamará o segundo colocado no leilão. Se não houver interessados ou nenhuma proposta atingir o valor mínimo — US$ 700 milhões para as operações domésticas ou US$ 860 milhões para todas as operações — será realizado um segundo leilão.

A Varig deve cerca de US$ 60 milhões às empresas de leasing e precisaria de pelo menos US$ 20 milhões para fazer parte do pagamento, o que não tinha ocorrido até a tarde de ontem. A empresa espera uma resposta do governo do Rio Grande do Sul, que está disposto a reconhecer um crédito de R$ 70 milhões, referente à cobrança de ICMS sobre passagens. Mas, mesmo que o crédito seja reconhecido, não haverá repasse de recursos a curto prazo.

Ontem, Ayoub disse que a Varig é viável mas que havia a necessidade de apressar o leilão. Ele confirmou a data para 5 de junho e a publicação do edital para hoje. A WebJet e a Ocean Air voltaram a afirmar seu interesse no leilão. Os papéis da Varig registraram ontem a maior alta no pregão da Bolsa de Valores de São Paulo. As ações preferenciais subiram 94,75%, para R$ 5,20.

 

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