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Varig: Onze interessados terão acesso ao "data room"

Valor Econômico
Do Rio e de Brasília


Onze empresas retiraram ontem na sede da Varig o edital de convocação para o leilão da companhia, marcado para segunda-feira, e manuais de acesso ao "data room" com informações estratégicas da aérea, segundo informou a própria Varig ontem à noite.

O manual detalha as regras de funcionamento do "data room", que será aberto hoje, os termos de confidencialidade e as instruções para o pagamento da taxa de R$ 60 mil para aqueles interessados em conhecer os dados da companhia.

O Valor apurou que além da Gol, TAM, WebJet, OceanAir e Aero-LB, outras seis empresas também enviaram ontem representantes à Varig para pegar os manuais. TAM e WebJet confirmaram, por meio das assessorias de imprensa, que retiraram o edital. Uma fonte da Aero-LB, companhia que comprou a VEM, ex-subsidiária de manutenção da Varig, contou que apesar de a empresa não ter interesse em participar do leilão, quer ter acesso ao data-room da Varig, uma vez que a aérea estaria colocando à venda ativos, como hangares, que hoje pertencem à Aero-LB.

Uma sala de informações foi montada na sede da empresa para receber os interessados e funcionará de quarta-feira a sábado das 8h30 às 23h30 e, no domingo, das 8h30 às 18h. Mas o fato de as empresas terem comparecido à companhia aérea em busca de informações não significa necessariamente que irão participar do leilão.

Muitas delas ainda estão preocupadas com alguns termos apresentados no edital, como por exemplo, o pagamento antecipado de US$ 75 milhões e os slots (horários de pousos e decolagens) que efetivamente serão colocados à venda, e questionam pontos jurídicos que ainda não ficaram claros para elas, como o risco de sucessão tributária e trabalhista no caso de venda de uma unidade isolada.

Isso significa, na prática, que o futuro comprador teria que arcar com o pagamento de tributos e créditos trabalhistas não pagos pela companhia original. Sendo assim, esse investidor, apesar de, a princípio, ter adquirido uma empresa "sem dívidas", correria o risco de sofrer ações de credores da Varig velha no futuro.

"A antecipação do leilão deixou muitas lacunas a serem preenchidas. Além disso, ainda temos dúvidas com relação ao passivo trabalhista e fiscal da companhia. É um risco", disse o presidente de uma empresa área regular, que preferiu não se identificar.

As incertezas em torno do leilão devem afastar alguns potenciais interessados na compra da Varig. É o caso da BRA Transportes Aéreos. O presidente da empresa, Humberto Folegatti, ainda não descarta completamente a participação no leilão, mas se diz pouco motivado. "Nossos advogados fizeram uma análise preliminar e eu confesso que fiquei inseguro", afirmou.

De acordo com o executivo, há várias inseguranças, como a herança do passivo trabalhista e a manutenção dos contratos com empresas de leasing. "Nossa estratégia de expansão tem sido cautelosa", completou Folegatti, com uma novidade: em julho, a BRA vai inaugurar a sua primeira linha regular internacional, São Paulo-Rio-Lisboa-Madri. (JV e DR)

 

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