Diante de um juiz já impaciente, a Varig enfrenta hoje na Corte de Falências de Nova York o risco de perder a proteção de arresto de seus equipamentos por falta de pagamento. Vários credores já pediram a devolução de motores e aviões e avaliam que o juiz Robert Drain não deve conceder o pedido da Varig por uma liminar de proteção permanente -a empresa vai a leilão na próxima segunda-feira.
A empresa brasileira está protegida até hoje, por liminar temporária da Corte de Nova York, de arresto de seus bens nos Estados Unidos devido às dívidas anteriores a junho do ano passado, quando a aérea entrou em processo de recuperação.
Na última audiência, Drain afirmou que as dívidas recentes podem ser causa para a devolução de equipamento, mas que não gostaria de interferir na condução do caso pela Justiça do Rio. Expressou, porém, sérias dúvidas sobre a intenção de quitação do total das dívidas.
Na época, o leilão da Varig era um "plano B" e dependia de um empréstimo-ponte para manter os arrendamentos em dia. A Willis Lease Finance Corporation já entrou com pedido para reaver nove motores, dos quais sete já estão com contrato de leasing vencido -a dívida em abril era de US$ 2 milhões. A Mitsui quer a devolução de dois Boeings-737. A US Bank e o Wells Fargo pediram a devolução de três Boeings-777.
Além dessas, a International Lease Finance Corporation, a Ansett e a Boeing também devem declarar posição hoje. A Varig já devolveu outras 11 aeronaves por meio de acordo voluntário.
Na semana passada, a Bristol conseguiu retomar um avião que estava parado no aeroporto JFK, por meio da Autoridade Portuária de Nova York e Nova Jersey.