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Resultados de TAM e Gol indicam cenário positivo

Valor Econômico
Roberta Campassi


Se nuvens cinzas e carregadas cercam a Varig, para TAM e Gol o céu não poderia estar mais azul. O crescimento da demanda, uma competição menor e o real valorizado deram impulso aos resultados das duas companhias aéreas no primeiro trimestre.

Os balanços apresentados pelas empresas superaram parte das previsões do mercado, já que os três primeiros meses do ano são os mais fracos em vendas, só perdendo para o segundo trimestre.

Na sexta-feira, a TAM divulgou lucro recorde de R$ 111 milhões, 107% acima dos R$ 53,5 milhões obtidos em igual período de 2005. No ano passado todo, a empresa lucrou R$ 187 milhões.

A receita bruta alcançou R$ 1,7 bilhão, 25% maior na comparação com o primeiro trimestre de 2005 e 6,25% mais alta em relação ao quarto trimestre do ano.

Há duas semanas, a Gol anunciou aumento de 43% em seu lucro líquido, para R$ 160,6 milhões, e faturamento 46,5% maior, de R$ 863 milhões.

"Os resultados de ambas são muito bons", diz Jander Medeiros, analista da Pactual Corretora. "A Gol já é muito eficiente e a TAM vem melhorando, o que tende a se refletir nas suas ações", afirma. O banco Pactual foi um dos coordenadores da última oferta de ações da TAM.

O aumento do número de viajantes em parte explica os resultados. Dados da Infraero mostram que, de janeiro a março deste ano, o total de embarques e desembarques domésticos nos aeroportos foi de 22 milhões, o que representa crescimento de 15% frente ao mesmo trimestre de 2005. No movimento internacional, o aumento foi pequeno: de 3,4 milhões para 3,45 milhões. O fluxo em ascensão está em linha com as expectativas dos participantes do mercado, que estimam um crescimento entre 15% e 20% no ano.

A queda da participação da Varig em um ano, de 30% para 20%, também influiu nos números de Gol e TAM. Já a valorização do real contribuiu para a redução dos custos das companhias, uma vez que grande parte dos seus gastos, como combustível e contratos de leasing, estão atrelados à moeda. A cotação do dólar, de março de 2005 a março deste ano, caiu 18%.

No caso da TAM, os custos por assento-quilômetro (total de custos dividido pelo número de assentos e pelos quilômetros voados) foi reduzido em 5%, o que ampliou a margem de lucro. O lucro operacional antes de juros, impostos, depreciação, amortização e aluguel de aviões cresceu 27%, para R$ 376 milhões, com 23,6% de margem.

As duas rivais vêm ampliando a oferta de assentos com novas rotas, mais aviões e mais horas de uso das aeronaves. Segundo Marco Antonio Bologna, presidente da TAM, a companhia aumentará a freqüência de vôos para Nova York, Miami e Paris, além de inaugurar a rota para Londres em outubro, com um vôo diário. No primeiro trimestre, a TAM conseguiu aumentar a oferta e, ao mesmo tempo, a taxa de ocupação dos vôos em dois pontos percentuais, para 72,6%.

Segundo um analista que preferiu não ser identificado, existem riscos na ampliação da oferta. "Gol e TAM contam com a redução ainda maior da participação da Varig, mas correm o risco de ela não perder tanto espaço assim."

 

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