O agravamento da crise da Varig gerou reflexos mais intensos no mercado de aviação durante o mês de abril, como já previam analistas e consultores do setor.
De acordo com dados do Departamento de Aviação Civil (DAC) divulgados ontem, a companhia aérea gaúcha viu sua participação no mercado doméstico cair de 26,7% em abril de 2005 para 16,5% no mês passado. Entre janeiro e março deste ano, a Varig detinha 19%. A participação é medida por um índice do setor que multiplica o total de passageiros pelo total de quilômetros percorridos no período.
As atuais líderes do setor, por outro lado, avançaram. A TAM elevou de 41% para 44,3% sua fatia no mercado em um ano. A Gol obteve crescimento ainda maior, de 6,5 pontos percentuais, e terminou abril com 33,3%.
Na média do setor, que inclui 19 empresas brasileiras de aviação, as taxas de ocupação nos vôos domésticos e internacionais subiram em três pontos percentuais, para 72% e 74%, respectivamente. A Gol é líder em ocupação no mercado doméstico, com 78%, e a TAM é líder em ocupação nos vôos internacionais, também com 78%. Abril deste ano foi mais forte em número passageiros devido à incidência de feriados prolongados e ao crescimento natural da demanda.
Nas rotas internacionais, a TAM conseguiu elevar sua participação no mercado em 10 pontos percentuais, para 25% no mesmo período. Gol também avançou, em um ano, de 1,8% para 4,4% e a BRA teve um aumentou menos expressivo, de 0,5 ponto percentual, para 3,6%. A Varig permanece líder no cenário internacional, apesar de sua participação estar em declínio também nesse segmento. Em abril, a empresa ficou com 66%, comparada à fatia de 79% que detinha no mesmo mês de 2005.
Desde que a situação da Varig com credores se deteriorou, a empresa perdeu passageiros e suspendeu rotas. Entre todas as companhias aéreas de abrangência nacional, ela foi a que apresentou maior queda nos índices de pontualidade, regularidade e eficiência - também divulgados ontem pelo DAC, especialmente em sua operação doméstica.