Pilotos são mercadoria escassa e criam asas depois de anos de dispensa e cortes de salários
Expansão de viagens aéreas irá criar falta de tripulantes qualificados.
Pela primeira vez desde os ataques de 11 de setembro de 2001, todas as empresas aéreas importantes dos EUA, estão empregando pilotos ou chamando os despedidos durante o shoutdown de cinco anos da indústria aeronáutica.
Mas as aéreas descobriram que, os dez mil pilotos que perderam seus trabalhos durante esses anos não estão interessados em retornar a seus velhos empregos.
Muitos pilotos, encurralados com cortes de salário de 35% ou mais, trocaram seus empregos por outros além mar. Como exemplo podemos citar a Emirates e a Cathay Pacífic. Outros procuraram empregos mais seguros, como trabalhar na FedEx e UPS.
Pilotos na faixa de 50 anos e 20 de carreira partem para uma carreira nova na Emirates.
Algumas empresas americanas além de cortarem os salários também rebaixaram seus tripulantes para aviões menores, para preencher as lacunas da escala de vôo. Hoje, comandantes de Boeing 777 na Emirates recebem salários na faixa de 11000 US dólares (R$ 24.200), e podem ter uma vida confortável.
Pilotos brasileiros também estão entre os aviadores dessas empresas, principalmente na Índia, China, Paquistão além dos Emirados Árabes. Pilotos da Varig estão preenchendo as vagas disponíveis em todas essas empresas, após a quebra daquela que foi a maior empresa da América Latina.
Comandantes de B-737 NG estão ganhando na faixa de US 8.000 ( R$ 17.600,00) e além disso também recebem diárias de alimentação e hospedagem na base ou seja as empresas pagam a moradia e também o colégio dos filhos. Algumas empresas também pagam o gasto de água e luz, tornando com isso um super salário.
Empresas com a Jet Airways, Emirates e Air Índia também tem um programa de aposentadoria que garante ao piloto após sua parada ter direito ao beneficio já após 5 anos de vôo.
As passagens para visitar a família são em torno de 6 por ano no mínimo e se quiserem suas famílias são bem recebidas no país onde o tripulante está baseado.
Além de tudo isso, ainda há a possibilidade de voarem os equipamentos mais modernos que existem, como o B-787 Dreamliner e o Airbus A-380.
No Brasil as empresas estão passando pelo mesmo problema, achar tripulantes qualificados. A GOL acabou de aumentar o valor de sua hora de vôo para comandantes em 42%, prevendo se não o fizesse, iria perder seus tripulantes para empresas internacionais. O salário médio dessas empresas gira em torno de 8 a 10 mil reais. Com o crescimento das aéreas brasileiras e recebendo cada vez mais aviões, o mercado entrará em um gargalo muito estreito, podendo até causar fechamento de portas por falta de pilotos.
O segmento de cargas também paga muito bem. O mais antigo piloto da UPS ganha US 40.000 (R$88.000) a mais, anualmente, em relação ao mesmo posto nas empresas aéreas de passageiros. O risco nessas empresas é bem reduzido por não operarem com passageiros.
O que vai acontecer nas próximas décadas é uma incógnita, pois só na Ásia leia-se China a previsão do aumento de trafego é triplicar o atual até 2025.
No Brasil temos um déficit de aplicação de recursos na infra-estrutura aeronáutica que deverá ser o moldador do gargalo que irá acontecer se nada for mudado. Controladores de vôo mal preparados linguisticamente, serão obrigados a fazer cursos de inglês intensivo e gerenciamento de conflitos de tráfego aéreo. No mês de janeiro uma entidade americana de pilotos de linha aérea divulgou um documento, mostrando todos os nossos problemas, relatos feitos por pilotos de verdade, mostrando o quase caos do nosso sistema de tráfego aéreo.
Com a criminalização do acidente aéreo, também abrimos as portas para a não elucidação das verdadeiras causas, pois todos se calarão, diante da possibilidade de serem criminalmente processados.
O Brasil precisa urgentemente de mudanças e também de investimento na área de aviação. A Boeing prevê em seu estudo, que o uso de aeronaves ao redor do mundo será de 35.970 aviões até 2025. O numero de empregos novos para pilotos no mundo será de 210.000, mais que o dobro dos que estão empregados atualmente.
O FAA (Federal Aviation Administration) propôs o aumento da idade para pilotos se aposentarem de 60 para 65 anos, estimando que com isso irão economizar 3.800 empregos nos próximos cinco anos.
Pelo quadro acima podemos entender o que acontecerá no Brasil se nada for feito. Uma falta de demanda silenciosa também está acontecendo que será a dos pilotos que irão trabalhar na aviação executiva, após as entregas dos novos jatos de três a seis passageiros chamados VLJ (very ligth jets), que irão demandar um numero cada vez mais crescente de pilotos para esses postos. De acordo com as previsões da Merrill Lynch, são previstas entregas de 925 VLJ até 2010 e todos precisarão certificar seus pilotos para o tipo de equipamento, ou seja pilotos de jato.
A empresa Day Jet na Florida declarou, que pretende chamar cinco pilotos para cada um dos 239 Eclipse 500 que eles tem encomendado.
A Cathay Pacific selecionou 55 pilotos americanos ano passado, para voar o 747 cargueiro com base em Hong Kong. A Cathay que tem sua base em Chicago, planeja contratar 65 pilotos em 2007, 100 em 2008. Dez por cento dos pilotos hoje na empresa são americanos, a maioria recrutado durante os últimos três anos.
As seis maiores empresas americanas estão contratando pilotos para reporem as aposentadorias e manterem suas operações, pois precisam manter suas aeronaves cada vez mais no ar e para isso precisam de mais pilotos.
No mercado americano, as contratações serão cada vez maiores.
A Continental Airlines planeja contratar 336 pilotos em 2007, após ter contratado 491 em 2006. A Delta Air Lines que teve um numero acentuado de aposentadorias, está planejando contratar 200 pilotos em 2007 . A American Airlines começou o ano chamando pilotos em janeiro. A maior empresa americana planeja re-contratar 70 pilotos até abril e após 30 por mês, por pelo menos até o fim do ano.
A US Airways planeja chamar 284 pilotos esse ano, enquanto a Northwest Airlines irá re-contratar 150 pilotos nos primeiros seis meses de 2007.
As empresas precisam planejar suas contratações e reposição de aeronaves. A Boeing está convicta que haverá um boom nos próximos dois anos que será quando as contratações irão começar.
Se as empresas brasileiras não se prepararem, nos próximos dois anos elas poderão ser engolidas por empresas internacionais, como foi o caso da nossa Varig, que de um dia para noite virou uma nanica do mercado, isso sem contar a falta de estrutura aeronáutica, que ao que parece a cada dia é uma bomba relógio sempre pronta para estourar. |