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Localização de aeronaves acidentadas no Brasil
Capt Bassani


A localização de aeronaves, embarcações e pessoas perdidas ou em iminente perigo é a tarefa menos conhecida das realizadas pelo Cindacta. O Brasil é um dos países integrantes do Cospas-Sarsat, sistema mundial de busca e salvamento. No mundo, mais de 1300 pessoas foram salvas com informações fornecidas por esse sistema.
Mantido pelos governos do Canadá, França, Estados Unidos e Rússia, esse sistema globalizado tem por objetivo reduzir o tempo de detecção e localização de pessoas acidentadas ou em situação de perigo. O Cospas-Sarsat é sustentado por uma rede de satélites, transmissores localizadores de emergência, estações terrenas, centros de controle de missão e por uma sofisticada rede de transmissão de dados e telefonia. Seis satélites em órbita polar cobrem a totalidade do globo terrestre.
Devido a sua grande dimensão territorial, o Brasil tem participação importante no programa. O país foi classificado como provedor terrestre, o mais alto grau operacional que se pode alcançar depois do segmento espacial, do qual fazem parte os mantenedores. Para dar sustentação ao programa foram instaladas sete estações em Manaus, Brasília, Recife, Curitiba, Manaus, Belém e Porto Velho.
Para que o sistema funcione plenamente é necessário que as embarcações, aeronaves ou as pessoas em perigo, possuam o transmissor localizador de emergência. Nas aeronaves o localizador de emergência (ELT), um dos itens do equipamento, é ativado automaticamente pelo impacto com o solo. As Embarcações possuem um flutuador denominado rádio transmissor indicador de posição de emergência (Epirb), acionado automaticamente por imersão em água. Ambos podem ser postos em operação manualmente à semelhança do transmissor localizador pessoal (PLB). Os localizadores são mantidos por baterias que duram, em média, 48 horas.
São três as freqüências dos sinais de emergência: 121.5 MHz, 243.0 MHz e 406.0 MHz. As freqüências 121.5 MHz e 243.0 MHz, menos potentes, necessitam, para serem captadas, que o satélite e a estação terrena estejam na mesma linha de visada, caso contrário o sinal será perdido. O sinal de 406.0 MHz, é o mais moderno em uso pela Cospas-Sarsat. Digital, ele pode ser armazenado em um dispositivo a bordo do satélite, permitindo sua visualização em qualquer parte do globo. Esse sinal emite, também, uma identificação digital, que decodificada, fornece características pessoais do emissor. Para isso, ele utiliza um receptor eletrônico de navegação externo ou interno (INS, GNSS) similar ao GPS, com precisão de transmissão de 100 metros. Essas mensagens são captadas pelos satélites geoestacionários e pelos satélites de órbitas polares.
O programa utiliza dois modelos de satélites de órbita polar. Os norte-americanos Sarsat, circulam a Terra a cada 102 minutos, a uma altitude aproximada de 850 quilômetros. Já os Cospas, russos, circundam o planeta a cada 105 minutos e a uma altitude em torno de mil quilômetros. A velocidade deles é de cerca de 25.000 km/h. Com os satélites de órbita polar é possível localizar as transmissões em função do efeito Doppler, variação do comprimento de onda devido ao movimento da fonte emissora.
Os satélites geoestacionários (Goes), que contêm transceptores 406.0 MHZ, estão situados a aproximadamente 36.000 quilômetros sobre a linha do Equador. Fixos, eles não se utilizam do efeito Doppler, o que impossibilita a definição autônoma de sua localização por coordenadas geográficas. Entretanto, retransmitem os dados digitais de 406.0 MHz para as estações de terra, imediatamente após o transmissor ser ativado. Se o transmissor for previamente registrado, o Centros de Controle e Missão (MCC) pode usar a identificação digital para tentar localizar a embarcação ou aeronave. Isto permite a mobilização dos recursos Sar enquanto se espera a passagem de um satélite de órbita polar para definir a localização da transmissão.
Com o Cospas-Sarsat a área de busca para salvamento reduziu profundamente. No caso das aeronaves, pelo antigo sistema, a região a ser verificada para resgate era demarcada tendo como referência a sua rota. Pelos padrões do Cindacta, essa área era de aproximadamente 23.400 km². Com o Cospas-Sarsat, um sinal emitido pela freqüência 121.5 MHz terá uma raio de busca de dez a vinte quilômetros. Se o sinal for de 406.0 MHz essa área diminui 1/3 do quilômetro quadrado.
O registro de ELT, EPIRB e PLB 406MHz é obrigatório no Brasil. Esse registro feito sem custos para os usuários, fica armazenado no BRMCC e, caso necessário, facilita a busca e o salvamento. Além do registro, o cuidado na manutenção dos transmissores é fundamental. Um dos problemas levantados pelos operadores do programa é o número elevado de acionamentos indevidos. (Hebert França)

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