FATORES “HUMANOS” AVIAÇÃO
Caros Amigos (as)
DEFINIÇÃO:
“Fatores humanos diz respeito sobre as pessoas: em seu ambiente de trabalho, e sobre o seu relacionamento com as maquinas, equipamentos e procedimentos. Mais importante ainda, é sobre o seu relacionamento com as outras pessoas. Ele envolve o desempenho geral dos seres humanos, dentro do sistema de aviação. Os Fatores Humanos busca otimizar o desempenho das pessoas, através da aplicação sistemática das ciências humanas, geralmente, integradas, dentro da estrutura do sistema de engenharia. Seus objetivos simultâneos são a segurança e a eficiência.”
http://www.anac.gov.br/arquivos/pdf/manualTreinamentoFacilitadorCRM3.pdf
Os desenvolvimentos de programas sobre Fatores Humanos para empregadores e fabricantes de aeronaves, estão implicitamente, relacionados, com a segurança das aeronaves, entretanto, sua aplicabilidade restringisse ao desempenho profissional, sem, contudo, ter qualquer compromisso com a saúde laboral.
Há uma tentativa em vão, de dar uma conotação humanista a estes programas de alto desempenho, sem, contudo, obterem êxito, pois basta um olhar atento para logo observar o maior compromisso com a qualidade total.
A otimização é a senha para tudo neste universo de alta performance!
O aprimoramento das melhores condições de segurança é uma necessidade imperiosa no mundo da aviação, todavia, o cerne dos programas de Fatores Humanos é a obrigação de aprimorar todos os movimentos humanos com os recursos tecnológicos disponíveis.
As conseqüências deste constante aprimoramento técnico serão inequivocamente, manifestadas, nos pilotos e comissários. Dentro de alguns anos, quando os indicativos da qualidade total em Fatores “humanos” já tiverem sido sedimentados. A melhor possibilidade que deslumbro, ressume-se na substituição, tal qual uma peça de reposição, do tripulante, quando esta otimização não for alcançada.
Os Seres humanos, são passíveis de errar, entretanto, com esta expectativa, sustentada por estatísticas, há uma indução “natural” ao fator mais lógico, para empregadores e construtores, que consiste em fazer crer que quando há um acidente aeronáutico o culpado seja o Ser humano. Nunca a máquina, esta sempre perfeita.
Os especialistas sobre Fatores Humanos, jamais utilizam a palavra saúde nos manuais, como se os tripulantes fossem imunes à atmosfera artificial, livre de stress profissional e ou a cobrança incessante pelo alto desempenho profissional. Não há compromisso com a longevidade, tão somente com a eficiência.
Coube ao Dr.Luiz Lopes*¹ a melhor definição:
“E os carbosos tripulantes e as esbeltas hospedeiras num ápice vêem-se precocemente minados e envelhecidos e da beleza que irradiavam nos anúncios apenas resta a beleza interior de quem um dia ousou triunfar onde Ícaro falhou.”
“Em suma, julgo poder-se afirmar que hoje um avião é como um laboratório móvel onde se cruzam praticamente todos os riscos profissionais com terrível particularidade de no seu interior não se encontrarem cobaias mas sim seres humanos”
Síndrome do Avião Apertado.
http://www.anestesiologia.com.br/anestesinfo.php?itm=117
Neste contexto e em respeito aos milhões de usuários na aviação, devo acordar que a classe econômica nunca foi tão desconfortável. Tornou-se um caso de saúde pública.
O humano nesta questão foi desconsiderado. Ao confinar, amontoar centenas de passageiros na cabine econômica tenho a nítida sensação da palavra econômica. Em afeto a segurança, com limitados segundos para uma evacuação não programada, diante do exíguo espaço destinado aos “clientes”, receio do sucesso desta responsabilidade elementar, salvar vidas. Neste aspecto os Fatores Humanos foram minimizados em favor do lucro.
De qualquer forma, constato a passividade, com que os usuários contentam-se com tão baixa qualidade de serviços ergonômicos. Um lamentável fenômeno mundial.
As retóricas em torno dos Fatores Humanos na aviação são despercebidas pelos maiores interessados os aeronautas. Reconhecidamente, são os melhores especialistas em segurança aérea, por isso a credibilidade alcançada, porem, muito pouco, discutem sobre a segurança laboral, implicitamente, relacionada com segurança de vôo. As doenças ocupacionais, também causadas pelo desempenho-total, afastam muitos tripulantes da produção deteriorando esta premissa de homem-máquina.
Diante da otimização das tripulações, com programas de monitoramento profissional, cada vez mais aprimorados, quanto tempo deve laborar os aeronautas para alcançar uma digna aposentadoria?
Abraços,
Silva Filho - Grilo
*¹ Luís Lopes; Presidente do Conselho de Administração da Agência Européia para a Segurança e Saúde do Trabalho. |