PROGRAMA DE PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS –PPL e a SEGURANÇA OPERACIONAL
Caros Amigos (as)
“Neste programa, o funcionário terá participação nos lucros da empresa de acordo com o seu desempenho. Existe uma grande variedade de planos de participação nos lucros, cada um com suas próprias regras e fórmulas, os quais podem ser modificados para atender as necessidades de sua empresa e refletir a política de recompensa estabelecida.
Os programas são baseados em índices específicos de desempenho, alguns dos quais estipulam incentivos mesmo quando a empresa não obtém lucro; alguns estipulam a participação nos lucros entre os funcionários, enquanto outros levam o funcionário a assumir determinados riscos.
Para serem bem sucedidos, os programas de participação nos lucros necessitam ter metas claramente estabelecidas e serem bem administrados pela gerência responsável. “Entretanto, você talvez não necessite formalizar um plano de participação nos lucros para incentivar seus funcionários: você pode simplesmente decidir pelo pagamento de um bônus, baseado no alcance de uma meta de desempenho específica.”
http://www.ethos.org.br:80/DesktopDefault.aspx?TabID=3665&Alias=Ethos&Lang=pt-BR
Conforme podemos verificar o PPL (ou PPR - Programa de
Participação de Resultados) estabelece uma meta a ser alcançada pela empresa sempre voltada para redução dos gastos correntes.
Em algumas empresas de aviação, seus tripulantes chegam a receber entre 4 a 5 salários ao ano pagos integralmente. Evidentemente, que os salários praticados na aviação comercial, hoje, induzem todos a se empenharem aderindo a estes programas com empenho!
Com esta cultura de remuneração institucionalizada, conseqüentemente, condicionada a metas pré estabelecidas de êxito econômico, evidenciasse, uma contabilidade maligna, que cada passo, cada movimento, tem um custo que pode ser demolido.
Faz parte da rotina operacional dos aviadores, alternarem um aeroporto, quando o de destino encontra-se “fechado” ou quando há uma combinação de fatores restritivos a continuidade de um vôo, assim sendo, somente o cristalino discernimento do comandante, sem qualquer paradigma, para alcançar a mais segura probabilidade de êxito. Avaliando pelo prisma desta terrível cultura, escravista, poderá ocorrer algum comprometimento da melhor decisão.
Outro complicador habitual é a empresa não ter base em muitos aeroportos, principalmente no exterior, onde uma jornada interrompida pode acarretar despesas de milhares de dólares. Transporte, refeição e hotel para centenas de passageiros. Decidir mediante uma cultura onde o lucro é o fator preponderante, transforma o comandante refém de objetivos na qual foi treinado.
Por conseguinte, temos um estado de monitoramente mútuo entre todos os interessados, a final, um procedimento “dispendioso”, embora sem dúvida, seguro, acarretará “prejuízo” ao demais participantes do programa. Não seria um deslumbre que todos os envolvidos nesta parceria, possam tecer criticas, sempre sob a ótica do PPL, para com aqueles que tenham uma postura dispare das metas pré-estabelecidas. Temos diante desta macabra perspectiva, um acúmulo de fatores negativos, lamentavelmente, implicitamente relacionados com a segurança operacional.
A cultura de participação nos lucros, num ambiente onde a segurança operacional é primordial, transforma qualquer empresa vulnerável a toda espécie de especulação em caso de acidente aéreo. Como crer que não estão minimizando os recursos destinados a segurança de vôo? Conseqüentemente, está implicitamente relacionado à segurança de todos os passageiros e tripulantes o ‘Programa de Participação nos Lucros’.
Redução de gastos e segurança de vôo é uma combinação conflitante, porquanto há uma natural ingerência nos objetivos que são antagônicos.
Abraços,
Silva Filho - Grilo |