SEGURANÇA & APOSENTADORIA
Por Comissário Silva Filho
Transcrevo abaixo a noticia da Agência de Notícias Brasil publicada em 27/07/2007.
“Além do sofrimento e custos sociais incalculáveis, os acidentes de trabalho geram um prejuízo financeiro significativo para o Brasil. Por ano, o país gasta R$ 32 bilhões (ou 4% do Produto Interno Bruto) com despesas relacionadas a acidentes do trabalho.”
Na França, segundo a Caisse Nationale d’Assurance Maladie (CNAM), 780 trabalhadores morrem devido ao trabalho por ano (mais de dois por dia!). Também aqui, “os números são subestimados”. Ocorrem cerca de 1,35 milhão de acidentes de trabalho, o que corresponde a 3.700 vítimas por dia. Considerando-se uma jornada de oito horas, isso significa oito feridos por minuto...
Os dados divulgados pela Agência Brasil são oficiais. Sabemos que vários outros acidentes do trabalho, ocorrem todos os dias sem serem notificados, portanto, a estatística é tão somente um triste indicativo da realidade.
Diante de informações tão estarrecedoras que se sucedem ano após ano, envolvendo cifras astronômicas é razoável indagar quais as razões que levam os nossos governantes, a tomarem sempre medidas tão tímidas, na realidade paliativa, para reduzir esta mazela social?
Aos trabalhadores que estão com suas aposentadorias ameaçadas pela ganância do lucro, temos como exemplo o primeiro mandamento da empresa TAM, “nada substitui o lucro”. Tratando-se de aviação é como colocar a chama perto do combustível.
Supõe-se que a segurança da aeronave, assim como de todos os passageiros e tripulantes, é determinada por valores frontalmente opostos.
Na certeza que os proventos a serem percebidos serão insignificantes, os tripulantes ficarão cada vez mais compelidos a se sujeitarem a escala de vôo, com todas as horas possíveis e não possíveis. Por conseguinte, os acidentes no trabalho e as doenças ocupacionais estão cada vez presentes entre os aeronautas, tais como, câncer, disfunções cardiovasculares, depressões, paradas cerebrais, deficiências sensoriais, artrose, demência senil, mal de Alzheimer e etc.
Ao dar-se apto ou não apto, sem realizar o nexo causal, que possibilitaria identificar as causas que limitam a validade do seu CCF ou mesmo de um afastamento temporário e ou definitivo do aeronauta, todos os artífices da segurança de vôo no Brasil colocam a vida de milhares de brasileiros em risco.
As condições em que os aeronautas irão se aposentar são, portanto, questões implicitamente ligadas à segurança da aeronave.
Ao não reconhecer a insalubridade nos aviões, a autoridade previdenciária (INSS) e as empresas aéreas, projetam um lamentável prognostico das condições de aposentadoria para os aeronautas, pois a aposentadoria especial é devida, até que todos os agentes insalutíferos sejam neutralizados nas cabines pressurizadas.