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BOEING 767- 400: Um jato para um mercado dinâmico

O bimotor 767-400ER ( "Extended Range" ), mais novo jato derivado da família Boeing 767, se situa entre os modelos 767-300ER e 777-200.

Ele apresenta uma fuselagem alongada, aprimoramentos aerodinâmicos
(inclusive maior envergadura), maior peso de decolagem e um trem de pouso principal, totalmente novo.

Para o mercado de 200 a 300 lugares, o novo 767-400ER oferece uma economia de operação significativa com relação à concorrência.
Sua carga útil, alcance intercontinental, conforto para o passageiro e grau de comunalidade com os outros jatos da Boeing é um forte atrativo para as Companhias aéreas.
A fuselagem do 767-400ER é 6,4m. mais longa que aquela do 767-300 básico, oferecendo cerca de 15% à mais em lugares à bordo, para um total de 245 passageiros em três classes ou 304 passageiros na configuração "executiva/econômica".
Na versão 767-300, seriam, respectivamente, 229 e 255 passageiros.
O número adicional de assentos proporciona uma redução do custo operacional com relação ao 767-300, por sua vez reconhecido pelo mais baixo custo operacional em sua categoria.

O 767-400ER foi projetado para ser a mais eficiente aeronave dentro de sua faixa de capacidade, tornando-o ideal para substituir os antigos L-1011, DC-10/30 e A300. Nos mercados em expansão, ele pode transportar um número maior de passageiros em rotas já servidas por jatos 767, A300-600 e A310. Seu alcance, de 10.440 km. é excelente.

Em comparação com o Airbus A330-200, o 767-400ER oferece um desempenho melhor em termos de economia, com uma redução de pelo menos 4% no custo operacional - Ele pesa 18.000 kg menos que o A330-200.

O 767-400ER pode voar sem escalas em todas as rotas domésticas dos Estados Unidos e ainda nas do Atlântico Norte, como Los Angeles-Londres, Newark-Moscou ou Chicago-Varsóvia. Outras rotas potenciais incluem Nova York-Santiago, Seattle-Osaka e Atlanta-Honolulu.

A vantagem das características comuns.

O 767-400ER trás consigo todas as vantagens competitivas decorrentes da comunalidade existente na família 757/767, começando pela qualificação única de seus pilotos.
Com um mínimo de adaptação o grupo de pilotos pode comandar um ou outro modelo.
A compatibilidade do 767-400ER com a família 757/767 significa que seus operadores ganham maior acesso ao concorrido mercado de porte médio (200 a 300 assentos ) com a operação de jatos exatamente dimensionados para cada situação de tráfego.
Podem ainda obter maior eficiência de operação pela redução do tempo de treinamento dos pilotos, maior flexibilidade na escala de vôo e estoques menores de peças de reposição.

A comunalidade também é uma garantia que o 767-400ER seja incorporado à frota já existente de 767 de maneira rápida e natural, sem maiores impactos com relação aos Boeing 757, eventualmente operados.

A nova cabine de comando.

A nova cabine de comando torna o Boeing 767-400ER mais fácil de manter e oferece flexibilidade quanto à adição de equipamentos eventualmente exigidos ao longo do tempo ou fruto de aprimoramentos.
Um novo painel de instrumentos e conjunto de aviônicos consolida 67 itens diversos do painel em apenas 20, simplificando a manutenção e aumentado a eficiência da tripulação.

No painel de instrumentos a mudança mais notável é a existência de seis grandes telas de cristal, líquido idênticas às dos Boeing 777 e 737 NG ("Next Generation" ).
Os pilotos destes modelos recebem o mesmo teor de informações no mesmo "formato", o que reduz sensivelmente os custos dos programas de transição para o 767-400ER.

O conjunto de aviônicos inclui um sistema de indicação totalmente novo e equipamentos de navegação aprimorados, permitindo aos operadores incorporar novos recursos operacionais como o FANS ("Sistema Futuro de Navegação Aérea" ).

Aerodinâmica das extremidades das asas proporciona mais sustentação.

O 767-400ER apresenta extensões de grande enflechamento nas pontas das asas, que aumentam a envergadura do 767 em 2,40m. totalizando 51,9 m.
Estas extensões, que visam aumentar a eficiência aerodinâmica das asas, são fáceis de montar nos 767-300 não exigindo qualquer tipo de modificação.
A eficiência do projeto e a economia na estrutura das asas confere ao 767-400ER maior flexibilidade nas operações junto aos terminais e nas pistas de rolagem.
Ele pode utilizar os mesmos portões do DC-10-30, MD-11 e L-1011, ao contrario do A330-200 que precisa operar em espaços projetados para jatos maiores, como os 747 e 777.
As extremidades ( acentuadamente enflechadas ) das asas, representam o equilíbrio ideal entre a eficiência em vôo de cruzeiro e O peso da aeronave, visando o máximo em alcance.

Ambiente de 777

O interior do 767-400 foi projetado dentro das mesmas linhas arquitetônicas e da decoração - objetos de premiações - existentes no Boeing 777.
A conformação especial dos painéis laterais, o teto e os cofres de bagagem transmitem à cabine a impressão de arejamento e liberdade preferida pelos passageiros.
Com relação à configuração dos assentos, o 767-400 vai conservar as características já consagradas pelos passageiros em todas as classes e confirmadas por pesquisas independentes : filas de sete assentos são preferidas porque 87% deles ficam junto a uma janela ou corredor.

Ao contrário de seu concorrente direto, a largura dos assentos de primeira classe do 767-400ER se enquadram no padrão internacional de 21,1pol
( 53,3 cm. ); na classe econômica a largura só perde para a encontrada no Boeing 777.
Em todas as classes, as paredes laterais da cabine são conformadas para dar maior liberdade à cabeça e ombros do passageiro proporcionando-lhe maior conforto.

Operação em 2000

O 767-400ER foi lançado em 28 de abril de 97 quando a Delta AirLines anunciou a intenção de comprar 21 jatos.
A Continental fez uma encomenda de 26 unidades em 10 de outubro de 97. O primeiro jato saíu da fábrica Boeing em 26 de agosto de 99 e fez seu vôo inaugural em 9 de outubro de 99.
Em agosto de 2000 a Delta e a Continental receberam seus primeiros 767-400ER.


ERNESTO KLOTZEL é engenheiro de vôo e jornalista de aviação.

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