Endoscopia no avião
A endoscopia é um dos mais valiosos recursos da medicina moderna.
Pouca gente deve saber, mas na mecânica aeronáutica são empregados aparelhos bastante semelhantes aos endoscópios.
Trata-se dos borescópios (do inglês borescopes), usados por técnicos em motores especialmente treinados para exames - periódicos ou realizados quando ocorre a ingestão de um corpo estranho - daquilo que poderíamos chamar de aparelho digestivo dos motores a jato.
Comparar a competência de um especialista em borescopia com a de um respeitado endoscopista não é exagero.
A diversidade de características e o número de pontos examinados rotineiramente são até muito maiores numa borescopia do que numa gastroscopia.
Quando se suspeita da ingestão de corpos estranhos como pequenas pedras, peças metálicas ou gelo, o exame borescópico é feito de imediato, como medida preventiva. Mais comum é a inspeção periódica, a cada 600 horas (cerca de um mês de vôo).
Em pouco menos de duas horas um motor a jato é esquadrinhado opticamente mediante a introdução de borescópios flexíveis ou rígidos em aberturas próprias na carcaça. São 14 orifícios para os compressores, quatro para a câmara de combustão e três para as turbinas.
Com mãos seguras, olhar atento e uma imensa experiência na interpretação de imagens, o especialista em borescopia pode decretar a remoção do motor da aeronave ou, o que é muito mais comum, fornecer um atestado de saúde para a concentração de potência bruta que nos propele a quase mil quilômetros por hora pelo céu.
ERNESTO KLOTZEL é engenheiro de vôo e jornalista de aviação
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