Frotas
Ernesto Klotzel
Comparar frota de aviões com os carros que a gente usa não faz o menor sentido. Para medir a vida útil de um jato, fabricantes e companhias aéreas se baseiam exclusivamente no número de horas voadas e não nos anos de operação. A combinação dessas horas com o número de decolagens e pousos resulta na média realmente levada a sério pelas empresas que decidem renovar sua frota comprando jatos novos de fábrica. Na prática, dentro desses critérios, a vida útil média de um jato fica entre 15 e 20 anos. Depois, longe de ser aposentado, o avião passa para as mãos de novo proprietário e continua voando
por mais algum tempo.
Para se revelar rentável, um jato deve ser utilizado ao máximo. Turnos diários superiores a dez horas de vôo, que correspondem a cerca de 3.500 anuais, são a regra. Em alguns casos essa utilização diária pode beirar a 15 horas. Assim, ao longo de sua vida útil uma aeronave pode perfeitamente acumular 75.000 ou mais horas de vôo. Já um carro de uso pessoal utilizado apenas para o transporte individual roda o equivalente a mil horas/ano e costuma ser considerado velho depois de dez anos. Ora, em aviação um jato de dez anos é visto como um adolescente: com 35 mil horas de vôo, nem atingiu ainda a metade de sua vida útil.
É claro que o pressuposto para essa longevidade é uma manutenção criteriosa, feita em oficinas certificadas por pessoal bem treinado e rigorosamente fiel a todas as recomendações do fabricante. Em outras palavras, não existe avião velho, apenas avião mal mantido. O que variam são as políticas das empresas. Algumas preferem substituir a frota entre os seis e dez anos de uso, outras igualmente calculam na ponta do lápis até que idade sua frota ainda dá retorno para o investimento, mesmo a um ônus maior em virtude de manutenção mais freqüente. Ambas as opções nada têm a ver, em todo o caso, com eficiência e a segurança das aeronaves
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