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A controvertida Poluição Atmosférica



Talvez você faça parte daqueles que, em terra, já teve a oportunidade de testemunhar um dos mais belos espetáculos do vôo comercial.

No azul perfeito do céu, em silêncio absoluto e, na maioria das vezes invisível a olho nu, o sobrevôo de um jato, cuja presença só é traída por longos rastros bem delineados, de um branco quase ofuscante, que só começa a esgarçar e ficar difuso a milhares de metros da descarga das turbinas. Os mais fanáticos, mesmo a 12.000 metros de distância, sabem detectar quantas turbinas equipam aquilo que, no momento não é mais que um pequenino ponto lá em cima.

A surpreendente ocorrência destes traços contrastantes é causada por milhões de cristais de gelo que se formam quando as condições de umidade e temperatura naquelas altitudes são propícias. Conseqüência do congelamento do vapor de água emitido pelas turbinas, um dos subprodutos normais de qualquer processo de combustão em um motor. Belos ou não, esta constelação de cristais de gelo não tem, obviamente, escapado às atenções dos “verdes”, que vêem neles mais uma ameaça para o meio ambiente. Em suas cabeças, um número elevado destes cristais gerados nas rotas aéreas mais densas formariam um gigantesco “espelho” que refletiria o calor emanado da terra, contribuindo assim para o agravamento do controvertido efeito - estufa. Em contrapartida, mentes (talvez até mais preparadas) argumentam que o mesmo efeito de reflexão dos raios infravermelhos é uma via de duas mãos: impede igualmente que parte dos raios - solares atinja a superfície do nosso planeta. Portanto, nesta fase, a partida “verdes” contra “não fanáticos” está rigorosamente empatada.

Já o problema da descarga de outros produtos normais da queima do querosene com o ar comprimido pelas turbinas (que proporciona o empuxo de um jato) não admite tantas especulações. Embora a aviação comercial contribua com menos de 3% dos poluentes atmosféricos produzidos pelo homem, é a única fonte que, ao contrário dos veículos automotores, trens, estações termoelétricas, as fábricas, etc. estão tão perto do céu.

Os produtos que mais preocupam - normais a qualquer processo energético gerado por combustíveis fósseis são, além do vapor de água, os óxidos de nitrogênio e o dióxido de carbono. Este sim, um indesejável cúmplice do efeito estufa, juntamente com o ozônio. Ozônio? De onde surgiu esta camada tênue, quase mística, cujos “furos” nas regiões polares mobiliza governos e as mais importantes agências de proteção ambiental em prol de sua reconstituição e proteção futura?

Curiosamente, nas altitudes de vôo de até 12000 metros - dos jatos subsônicos que você conhece - os óxidos de nitrogênio formam com a atmosfera um ozônio “indesejável” que contribui para o efeito - estufa, além de ser prejudicial à saúde quando em mistura com poluentes em terra. Já em altitudes de vôo de um Concorde (em torno dos 20000 m.) o efeito destes compostos de nitrogênio é o de afetar a constituição da camada de ozônio “desejável”.

Todos os fabricantes de turbinas conseguiram reduzir em cerca de metade a emissão de gases das turbinas dos anos 60, movidos muito menos pelas preocupações ecológicas do que por sua busca de modelos de turbinas mais econômicas, que necessitem de menos combustível para proporcionar a maior potência para jatos de qualquer tipo ou porte. É lógico que, com uma queima menor da mistura ar-combustível, a emissão de vapor de água, e dos dióxidos de carbono e nitrogênio (os verdadeiros vilões) serão gradualmente baixados a um nível que possa - quem sabe? - aplacar os esbirros dos fanáticos defensores do meio ambiente.

E, o que é muito mais importante: atrair mais compradores para suas turbinas, diante das novas dimensões de alcance, velocidade e carga conferidas às respectivas aeronaves que as utilizarem.

Portanto em terra ou da janela de seu jato, continue a se extasiar com o azul do céu e sonhar com destinos bem além do horizonte. Sem qualquer sentimento de culpa.

ERNESTO KLOTZEL é engenheiro de vôo e jornalista de aviação.

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