Mantenha distância
O disciplinamento do fluxo de aeronaves que decolam e pousam, pela torre de controle do tráfego aéreo de um aeroporto, é um verdadeiro exercício de administração de distâncias. O passageiro pode ficar impaciente com a eventual espera, mas é fundamental manter uma distância segura entre aeronaves, levando ainda em conta a diferença de porte delas. Nesse caso, o zelo em garantir essa "reserva de espaço" não tem uma relação direta com um eventual conflito de trajetórias, mesmo porque se trata de aeronaves que estão voando na mesma direção. O distanciamento valeria ainda mais para pistas paralelas, com centenas de metros entre uma e outra. O motivo de todo esse cuidado, que limita os movimentos em muitos aeroportos, é invisível: a necessidade de evitar os efeitos do rastro da turbulência gerada pelas pontas das asas, dos estabilizadores e dos flapes ao cortar o ar. Esse "remuo" é tanto mais acentuado quanto maior e mais pesado é o avião.
E quanto àquela pista ao lado que parece uma excelente opção: não são permitidas operações simultâneas em pistas paralelas cuja distância entre eixos seja inferior a 2.300 metros. Nesses casos o rastro de turbulência, embora não se estendendo muito para os lados, poderia ser "empurrado" de uma pista para outra por ventos de força moderada que soprassem transversalmente no momento da decolagem ou do pouso. A ordem é manter a distância, garantindo sempre o maior conforto nas operações aéreas. Uns dois minutos ou dez mil metros são suficientes.
ERNESTO KLOTZEL é engenheiro de vôo e jornalista de aviação. |