Para várias atividades do dia-a-dia necessitamos de um auxílio à nossa memória. Um exemplo típico são as compras num supermercado. Contudo, nossa relação de mercadorias é feita numa ordem que nada tem a ver com a distribuição das gôndolas, o que muitas vezes nos obriga a numerosas idas e vindas. Quem viaja com freqüência já deve se ter perguntado como os pilotos fazem para, a cada dia, repetir dezenas de vezes quase uma centena de observações de luzes de aviso, instrumentos e indicações; manusear chaves, botões e alavancas, de acordo com uma seqüência fixa, testada e comprovada pelo fabricante da aeronave. Um piloto comercial é treinado a agir de uma forma muito mais organizada do que aquela com que enfrentamos as compras. Ele foi acostumado a obedecer à seqüência lógica que governa o monitoramento e a operação de centenas de indicações e comandos.
Mesmo com esse condicionamento (ou talvez por causa dele), nenhum piloto confia inteiramente na memória. Não se inicia um vôo sem os checklists de rotina. Na maioria das vezes, elas servem para confirmar as observações ou comandos já executados por um dos dois pilotos nas diversas etapas do vôo. Contudo, a lista é sempre consultada, como um apoio bem-vindo. Ela começa no período anterior ao acionamento das turbinas e só é guardada quando os pilotos deixam a cabine no destino. Apenas para o conhecido Boeing 737 - um dos mais simples jatos em operação - existem cerca de 80 desses lembretes, divididos pelas fases do vôo.
Antes de os pilotos darem partida nos motores, são 21; quando o avião é liberado para a partida, seis; após a partida, seis; antes da decolagem, seis; quando o avião é liberado para decolar, dois; após a decolagem, cinco; na descida/aproximação, cinco; no pouso, cinco; no corte das turbinas, 20; antes de os pilotos deixarem a cabine, quatro.
Existem ainda checklists mais curtos, que raramente são utilizadas. Elas cobrem todas as situações anômalas ou que exijam atenção especial.