Canais

Home

Pilotos

Comissários

Profissonais

Database

Turismo

Meteorologia

Medo de voar

Inicial

Palestras

Medo de voar d
Brasil é líder em segurança de vôo
Bianca Chiavicatti


Eleito por unanimidade, o País é o primeiro da América Latina a integrar o International Confidential Aviation Safety Systems, com sede nos EUA

Uma reivindicação de cinco anos, atendida em outubro, confirma a aviação brasileira como uma das mais seguras do mundo. O Brasil é o primeiro País da América Latina a integrar o seleto grupo dos países que fazem parte do International Confidential Aviation Safety Systems (Icass). A entrada foi oficializada , após a participação inédita do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) no encontro anual do Icass. A reunião ocorreu na cidade de Carmel/Monterey, na Califórnia, nos Estados Unidos.

Formado por Austrália, China, Grã-Bretanha, Alemanha, Espanha, Rússia, Cingapura, Coréia, Japão, Canadá, Taiwan e Estados Unidos, sob coordenação da National Aeronautics and Space Administration (Nasa), o objetivo do Icass é promover a troca de informações sobre os sistemas de prevenção de acidentes aéreos implantados em cada país, analisar tendências baseado nas estatísticas das ocorrências e discutir medidas a serem tomadas a fim de aumentar o índice mundial de segurança de vôo.

No encontro, que acontece uma vez por ano, o Brasil, representado pelo coronel aviador Domingos Afonso, mostrou como funciona o Sistema de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Sipaer), do qual o Cenipa faz parte, e a organização da aviação civil brasileira. Ao final dos trabalhos, os países presentes elegeram o Brasil por unanimidade a tornar-se membro efetivo do Icass.

Os países participantes do Icass já conheciam a posição de destaque do Brasil em relação ao número de acidentes por milhões de decolagens ao ano - índice que mede a segurança de vôo de um País. O desempenho brasileiro, era de 0,8 acidentes/md, e após o acidente da TAM pulou para 2.5 acidentes/md (por milhão de decolagem) e é melhor que a média da América Latina e Caribe juntos, de 3,1 acidentes/md.

Metodologia - O que chamou a atenção do grupo e contribuiu para a eleição do Brasil como novo integrante do Icass foi a forma de trabalhar a prevenção dos acidentes aéreos. Semelhante ao sistema americano - denominado de Air Safety Reporting Systems (ASRS), o Cenipa segue a premissa de não focar a investigação nas causas dos acidentes, mas nos fatores que contribuem para que eles aconteçam. “Um acidente quase nunca é causado por um fato isolado, mas um conjunto de fatores que possibilitaram a sua ocorrência”, afirma Afonso.

Os trabalhos do Cenipa, assim como do ASRS, baseiam-se na coleta de informações voluntárias dos usuários, tripulantes e toda a comunidade aeronáutica a fim de identificar motivos que possam afetar a segurança de vôo. O principal instrumento do programa de prevenção é um relatório confidencial, que pode ser requisitado por qualquer pessoa, ligada ao não à aviação, em todos os aeroportos do País. O relatório é enviado por correio e o anonimato do remetente é mantido.

Segundo Afonso, o Cenipa adotou o Relatório Confidencial para Segurança de Vôo (RCSV) em 1997, a partir dos resultados obtidos por todos os países que adotaram procedimentos com a mesma base filosófica do ASRS americano. “Os países que hoje possuem os menores índices de acidentes por milhões de decolagens são os que mais informações recebem de seus usuários”, revela. “O que faz um sistema seguro é conhecermos os seus problemas e atacá-los”, completa.

Como membro do Icass, o Brasil passa a ter acesso aos bancos de dados destes países e às formas de processamento destas informações. Além de servir para melhorar os procedimentos adotados aqui, o compartilhamento de dados pode ajudar a aviação brasileira a se antecipar na prevenção de problemas que se apresentam como tendências mundiais, como o volume de tráfego aéreo.

Fator humano é responsável por 80% dos acidentes aéreos

Os fatores que contribuem para a ocorrência dos acidentes aéreos são divididos em três categorias: humano (aspectos psicológicos e fisiológicos da tripulação), operacional (operação das aeronaves) e material (engenharia de construção). Até a década de 70, a maioria dos acidentes aéreos era causada por falhas na construção das aeronaves ou seus materiais.

De lá para cá, com o desenvolvimento da indústria aeronáutica, o número de acidentes causados por falhas nos aviões diminuiu consideravelmente. Por outro lado, a evolução dos sistemas implantados aumentou a carga de trabalho cognitivo nas cabines. Os fatores humano e operacional, ambos ligados à atuação do homem perante a máquina, tornaram-se responsáveis por 80% dos acidentes.

Os principais fatores contribuintes para a ocorrência de acidentes apontados na reunião do International Confidential Aviation Safety Systems (Icass), em outubro, foram conflito de tráfego aéreo, falhas no treinamento e qualificação de pessoal, carga de trabalho nas cabines e estresse.

“A aviação hoje consiste em um sistema complexo de softwares que requer treinamento intensivo e qualificado de pessoal, o que significa aumento de custos para as empresas”, diz o coronel aviador Domingos Afonso, responsável pela produção dos relatórios finais do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa). Além disso, vários aspectos podem influenciar na cabine das aeronaves, desde problemas de relacionamento entre a tripulação até atraso de pagamento de salários. “Foi esta percepção que levou os países a adotarem a coleta de informações voluntárias como principal meio de prevenção de acidentes no mundo”, afirma Afonso.

 

Faça parte da Comunidade Oaviao.com - Envie Notícias, matérias, fotos, sugestões, reporte erros, entre outros - Clicando aqui
Oaviao.com ®
Editoria - I Comercial - Política de Privacidade - I Webmaster

Enquete

Você tem medo de voar de avião?

 

SIM

NÃO
Resultado parcial