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Air Florida- Vôo 90: Os 25 anos de um desastre aéreo marcado pelo gelo

Em janeiro de 1982, diversas empresas áreas surgiam nos Estados Unidos como resultado de novas regras que expandiram o setor aéreo norte-americano. Uma destas companhias era a Air Florida, empresa que concentrava os seus vôos na costa leste dos Estados Unidos. Em 13 de janeiro, Washinhgton D.C.era castigada por uma intensa tempestade de neve. Escolas e estabelecimentos comerciais fechavam mais cedo e dispensavam os seus funcionários. As ruas estavam congestionadas de automóveis com pessoas retornando para casa em maio ao tumulto no trânsito provocado pela neve.

No National Airport, a atividade era mínima já que o aeroporto havia sido fechado brevemente. À tarde, as atividades foram retomadas e os atrasos nos vôos se acumulavam. Um destes vôos era o 90 da empresa Air Florida. O vôo estava previsto para decolar do National Airport às 14:15 para uma viagem sem escalas até a ensolarada Fort Lauderdale no estado da Flórida. Apesar do atraso inevitável, funcionários da companhia aérea embarcaram os passageiros no horário previsto para a partida e, às 14:45, todos já estava a bordo. O capitão Lawrence Wheaton havia ordenado o começo do processo de degelo. A torre de controle informa, então, que mais atrasos deveriam ser esperados. A aeronave não foi liberada para ser retirada do portão até 15:30. A tripulação fora informada que deveria esperar a decolagem de várias outras aeronaves antes de partir. De repente o comandante recebeu autorização para deixar o portão. O veículo responsável pela liberação acabou atolando na neve e não teve condições de assistir o Boeing 737 da Air Florida. Outro, com corrente nos pneus, teve que ser acionado. Aproximadamente um minuto antes das quatro da tarde, a aeronave se posicionou na pista para a decolagem. O Beoing 737 acelera e surgem os primeiros sinais do desastre. O co-piloto Roger Alan Pettit estava no controle do avião. À medida que o avião acelerava, Pettit olhava os instrumentos e percebia que algo estava errado, muito errado.

"Deus, olhe isso. Isso não parece certo, parece". O co-piloto insistiu com o comandante sobre o indicativo dos instrumentos, mas Wheaton ignorou, revelou depois a transcrição da gravação da cabine de comando. O aparelho não conseguiu ganhar altitude e produziu-se o chamado stall. O Boeing 737 da Air Florida perdia altitude rapidamente e logo depois se chocaria contra a ponte da Rua 14, sobre o Rio Potomac, a poucos metros de famosos monumentos nacionais e distante tão-somente dois quilômetros da Casa Branca.

Sete veículos foram atingidos na ponte. Os destroços do avião se misturavam ao gelo nas águas do Potomac. Começava a tragédia do 90 da Air Florida. No total, 78 pessoas morreram: passageiros, tripulantes e motoristas que estavam na ponte.

Imediatamente após a queda, o local do desastre passou a ser palco de cenas de heroísmo. Um piloto de helicóptero resgatava sobreviventes do rio congelado. Um dos passageiros feridos, depois identificado como Arland Williams Jr. de Atlanta, morreu afogado depois de repetidamente alcançar uma corda para outras vítimas. Dois pedestres não resistiram e se jogaram no rio para ajudar. Um deles era Lenny Skutnik. Numa imagem que comoveu o mundo na época, ele retira Priscilla Tirado com segurança do congelado Potomac após ela não ter conseguido agarrar uma corta jogada de um helicóptero.

Nos meses seguintes ao desastre, a agência federal encarregada de investigar acidentes (NTSB) concentrou-se no processo de degelo da aeronave em um dia com temperatura de sete graus negativos com neve intensa. O gelo e a conduta da tripulação da cabine foram apontadas como causas para a tragédia. O National Transportation Safety Board concluiu que a queda foi provocada pelo degelo incompleto da aeronave pela tripulação, pela decisão de decolar com gelo e neve sobre a aeronave e como consequência da decisão do capitão de ignorar os alertas dos instrumentos.

Os dias que marcaram a tragédia do vôo 90 da Air Florida foram extremamente gelados no leste dos Estados Unidos. Atlanta, Geórgia, registrava recordes de frio. As plantações de frutas na Flórida estavam ameaçadas pelo congelamento. O gelo e a neve castigavam há vários dias a capital norte-americana que uma semana depois do acidente registraria uma das menores temperaturas até hoje na história da cidade. A temperatura permaneceu o dia inteiro abaixo de zero no dia do desastre da Air Florida. Mais de vinte centímetros de neve (sete polegadas) tinham se registrado apenas no 13 de janeiro de 1982 em Washington, uma data que muito mais que pelo frio será sempre lembrada pela tragédia e o heroísmo nas águas do congelado Rio Potomac.


Alexandre Amaral de Aguiar - 14/01/2007

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